Ruy Chaves: O estado, a Segurança Pública e a polícia

A incapacidade de solução dos problemas de polícia e dos problemas da polícia agride a nação e seus objetivos, fazem a sociedade refém

Por O Dia

Rio - A razão primeira que impõe ao homem integrar-se em sociedade é a preservação da vida, da liberdade, da segurança, da propriedade, princípios que orientam a Constituição Cidadã, especialmente em seu preâmbulo e em artigos que tratam a segurança pública como dever do Estado, direito e responsabilidade de todos.

Assim, têm responsabilidades com a Segurança Pública, nas suas atribuições legais ou nos deveres com a nação, as mídias, os poderes públicos, a indústria, o comércio, as universidades, as forças armadas... além de forças policiais.

Inadmissível a omissão por transferência: a culpa não é sempre do outro, a culpa é de todos nós! Produzimos e consumimos muita violência, que não podemos enfrentar apenas com polícia. Inaceitável a redução de graves conflitos sociais em crise de segurança pública e, daí, em simples crise de polícia.

A polícia e a segurança pública estão em crise porque a sociedade está em caos. Os criminosos que temos produzido, com gravatas ou não, buscam violentas ou corruptas estratégias de sobrevivência em tempos de esfacelamento da autoridade, de falência de políticas públicas, tempos em que o homem é o lobo do homem.

A polícia não pode tudo, tem limites legais, de pessoal, de equipamentos, não está todo o tempo em todos os lugares. O policial não é cidadão, não tem atendidas necessidades básicas, sofre por suas culpas e por culpas que não lhe pertencem exclusivamente. Seu salário, incompatível com a função essencial sempre sob risco extremo, impõe outras atividades de sobrevivência.

A incapacidade de solução dos problemas de polícia e dos problemas da polícia agride a nação e seus objetivos, fazem a sociedade refém. É mais que tempo de se tirar as máscaras. Segurança pública não admite visão míope de guerra de todos contra todos nem de guerra entre policiais e criminosos.

O Estado é a organização jurídica e política da nação, o homem é o seu fim e razão única, é o meio que permite ao homem realizar-se, mas a incompetência de governos e de atores políticos impõe à sociedade que não se omita face à violência, à corrupção, à impunidade e suas causas e exija de seus representantes legais uma polícia cidadã, armada em defesa da cidadania, com competência e dedicação exclusiva a suas funções constitucionais. Panta rei.

Ruy Chaves é especialista em Educação

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