Marcos Espínola: Mãe da violência

A ordem e o progresso beiram a utopia, pois a desordem é dominante e a estagnação e o retrocesso não nos deixa ir adiante

Por O Dia

Rio - Há anos chamamos a atenção para os efeitos da violência que massacram a população. E ela se apresenta de diversas formas, começando de cima para baixo, onde o poder público fere a Constituição não garantindo direitos básicos e, em muitos casos, sendo algoz da precariedade por conta da corrupção.

Educação, saúde, segurança, moradia e até saneamento básico faltam para boa parcela de brasileiros e muitos ainda vivem abaixo da linha da pobreza. A ordem e o progresso beiram a utopia, pois a desordem é dominante e a estagnação e o retrocesso não nos deixa ir adiante. O crescimento que identificamos e só o da criminalidade.

Por décadas acreditamos ser o país do futuro. Mas este nos brinda a cada dia com mais frustrações. Após a ditadura militar celebramos a tão sonhada democracia. Contudo, essa se revelou ainda mais ditatorial, condenando a classe trabalhadora a viver no fio da navalha e sem dignidade, numa ditadura tão perversa ou maior que a militar.

Sem investimento na Educação, por exemplo, a cada geração a história se repete. Crianças chegam à juventude sem uma boa formação. Assim, lhe faltam oportunidades, o que, em muitos casos, é um fator determinante para o ingresso no crime, que acena para uma vida de status e ganhos atraentes, uma tentação para quem cresce revoltado e discriminado.

E para aqueles que resistem, com pouca ou nenhuma qualificação, resta a mão de obra pesada, pouco valorizada e remunerada. E, assim, esse ciclo é retroalimentado pela violência contra a cidadania. O crime se tornou uma das mais organizadas instituições desse país. Talvez, mais até que o poder constituído.

Em recente estudo da Confederação Nacional da Indústria, 70% dos brasileiros mudaram seus hábitos em função da violência. Nos últimos 12 meses, 80% das pessoas vivenciaram alguma situação de insegurança pública. Estamos acuados e obrigados a mudar o ritmo de vida. Somado a isso tem a frustração das denúncias e delações a cada dia que revelam os inúmeros esquemas da nossa política com a iniciativa privada.

A violência tem impactado a economia do país. Esta em crise profunda, afeta o cidadão (já somos mais de 13 milhões desempregados). E, o saldo é o pior possível, no qual nos tornamos reféns, tendo que nos adequar ao caos, pois a violência se apresenta em variadas formas.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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