Marcos Espínola: Intervenção federal

Estatística recente da PM revelou que em cinco anos os confrontos em áreas com UPPs, aumentaram 13.746%, passando de 13, em 2011, para mais de 1.500 em 2016

Por O Dia

Rio - Lamentavelmente sou obrigado a abordar um tema recorrente e desagradável, porém necessário: a violência. Estatística recente da Polícia Militar do Rio revelou que em cinco anos os confrontos em áreas com UPPs, como os que veem ocorrendo no Complexo do Alemão, aumentaram 13.746%, passando de 13, em 2011, para mais de 1.500 em 2016. O número de vítimas por balas perdidas e de policiais mortos também cresce, e uma intervenção federal no estado não significa mais uma opção e, sim, uma necessidade.

Com dificuldades financeiras, o que impacta em todas as áreas da gestão pública, não há outra saída para o Rio senão a participação efetiva do governo federal, com investimento de recursos, força nacional e exército. O estado atravessa pior crise de sua história, e, quanto à segurança pública, a situação é delicada.

As contínuas dificuldades que as polícias enfrentam nas últimas décadas fizeram com que esses profissionais se sentissem fragilizados, desprestigiados e, literalmente, prejudicados. Ser polícia no Rio de Janeiro passou a ser sinônimo de heroísmo. O policial é um alvo ambulante, caçado de forma cruel por destemidos criminosos fortemente armados. Num cenário de guerra, a desproporcionalidade é notória, e o “exército” adversário leva vantagem pelo poderio bélico.

O investimento em equipamentos, treinamentos e armamento para a polícia já não é mais páreo para combater narcoguerrilheiros e, agora, o patamar é outro, no qual só com as Forças armadas teremos a possibilidade de enfrentar e desarticular as organizações criminosas. É preciso estratégia de inteligência, incluindo um trabalho minucioso nas fronteiras, afunilando até os grandes centros. O trabalho de investigação é essencial para mapear os tentáculos do crime.

O Rio, sem dinheiro para nada, não é capaz de fazer isso. Aliás, nenhuma outra capital está apta. Acabou essa história de que segurança pública é de responsabilidade estadual. O caos está instaurado e as facções do crime se espalharam por todo o Brasil, se tornando um problema de segurança nacional. Aliás, a falta de uma cultura de investimento em educação de base, além de outras ações sociais, fez com que várias gerações fossem fisgadas pelo crime. Crianças em várias partes do país idolatram e imitam os bandidos da comunidade onde moram, pois são a referência que conhecem.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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