Nilo Sergio Felix: O artesanato no turismo

Por tudo o que demonstramos, não é pretensioso inferir que 80% dos turistas que nos visitam são potenciais compradores do artesanato fluminense: criativo, diversificado, competitivo em preço e qualidade

Por O Dia

Rio - Cerca de 8,5 milhões de brasileiros têm no artesanato parte da renda familiar em 78,6% dos municípios do país. Segundo o IBGE, em 2016 o setor movimentou R$ 50 bilhões, numa curva ascendente. O turismo, por sua vez, apresenta números competitivos. Corresponde a 52 itens da economia nacional; em cada 11 empregos, um é do turismo, o que no Estado do Rio corresponderia a 200 mil vagas.

O Brasil recebeu ano passado 6,4 milhões de turistas estrangeiros, dos quais 2 milhões se dirigiram para nosso estado. Não é sonho supor que a maioria se interessou pelo artesanato regional, que, além do valor estético, tem a função de suvenir, porque é fácil de transportar, tem bom preço, é atraente e quase sempre remete ao destino visitado.

Um dos componentes que aproximam o artesanato do turismo é a garantia de o produto ser ambientalmente responsável, seja pela extração orientada, seja pela proveniência das matérias-primas naturais: sementes, escamas de peixe, fibras, barro, material reciclável e madeira certificada.

Mas entre a cada vez mais rigorosa profissionalização atual do artesão e os tempos românticos do fazedor de bonitezas, passam-se alguns anos. Por exemplo: em 2015, deu-se um avanço resgatador, com a Lei Federal 13.180, que reconhece a profissão do artesão e determinava políticas públicas de apoio, crédito e aperfeiçoamento.

Na gestão do atual governo do estado, em junho de 2016, e entendendo a forte conexão com o setor turístico, o programa foi transferido para a Secretaria Estadual de Turismo, que fortaleceu as conquistas do segmento e iniciou imediatamente uma ação diferencial: a metodologia de cadastro dos artesãos. Isto é, a realização de censo e de curadoria técnica que visaram a desenhar o perfil desse profissional e o do produto. Porque um dos traços que singularizam o artesanato do Rio daquele produzido em outros estados é a a variedade de motivos, modelos, formatos, cores, insumos e design.

No primeiro semestre do ano, mais de 35 cidades fluminenses foram visitadas por nossa equipe especializada, e mais de 9 mil profissionais foram inscritos no Programa de Artesanato Brasileiro. Nosso objetivo é percorrer todos os 92 municípios e cadastrar até 18 mil artesãos até o fim de 2018.

Em abril passado, logramos mais uma conquista para a categoria, após uma década de expectativa: a secretaria começou a entregar a Carteira Nacional do Artesão, documento com validade em todo o território nacional. Esta carteira, além de identificá-los, permite a participação em feiras e a comercialização dos produtos. E, muito importante: isenção do pagamento de ICMS na venda para o consumidor final.

Uma providência que traz para o mercado de trabalho formal um contingente que estava na informalidade. Perdia o artesão, perdia o estado em arrecadação indireta, perdia o turista.

Por tudo o que demonstramos, não é pretensioso inferir que 80% dos turistas que nos visitam são potenciais compradores do artesanato fluminense: criativo, diversificado, competitivo em preço e qualidade. E vamos melhorar!

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