Ricardo Barros: O SUS de encontro ao que a população mais precisa

A reestruturação dos hospitais federais do Rio interfere em culturas e condutas estabelecidas que podem não ser as mais adequadas ao ambiente de eficiência

Por O Dia

Rio - A missão do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro extrapola a de formulador das políticas públicas nacionais, gestor e destinador de recursos: no estado, mantemos uma estrutura com seis hospitais e três institutos federais que atendem diretamente a população. É urgente, diante da crise econômica que se estende às instituições de saúde locais, integrar esses serviços à rede de saúde do estado e do município e, principalmente, fazer com que eles estejam voltados às reais necessidades do SUS.

A reestruturação, já em curso, dos serviços ofertados pelos hospitais federais do Ministério da Saúde vai torná-los mais eficientes. Com a melhoria da gestão, reorganização logística e realocação clínica e cirúrgica por especialidades e por escala, além da definição da regulação por parte do município e do estado, devemos ampliar em 20% a assistência, com destaque para oncologia, ortopedia e cardiologia três áreas prioritárias por reunir as maiores filas e carência de acolhimento no Rio de Janeiro.

Os seis hospitais federais do Rio vão contar com centros especializados em oncologia. Na área de ortopedia, organizamos um novo centro voltado ao atendimento de coluna e estamos criando centros especializados em cirurgias de joelho e quadril em dois hospitais federais.

Nenhuma especialidade de tratamento será suprimida ou terá atendimento reduzido, mas todos os serviços estarão readequados ao tamanho da demanda. Caminhamos nessa direção quando decidimos pela compra centralizada, por protocolos unificados e pela instalação do ponto eletrônico por biometria nos hospitais federais. Sistematizar o gasto público e reduzir custos nos permite avançar na melhoria da qualidade assistencial e aumento do número de atendimentos.

Mesmo que tenhamos serviços já tradicionais em algumas unidades, precisamos torná-los mais resolutivos. Manter qualquer um deles efetuando cirurgias e consultas sem escala é deixar de apostar na otimização de profissionais, leitos, insumos e recursos financeiros. Sai mais caro e não resolve os problemas de saúde pública.

Investindo em gestão, no Ministério da Saúde, economizamos R$ 3,9 bilhões que foram integralmente reaplicados na saúde da população. Isso deve ser repetido no Rio e por todos os estados e municípios. Vamos ter coragem de realizar as mudanças necessárias para atender melhor aos usuários do SUS.

A reestruturação dos hospitais federais do Rio interfere em culturas e condutas estabelecidas que podem não ser as mais adequadas ao ambiente de eficiência. Temos 21 mil profissionais de todas as áreas que devem cumprir prioritariamente o interesse público. Contamos com eles e com o auxílio das associações, conselhos, entidades relacionadas à saúde, órgãos de controle social. Há uma prioridade definida: o paciente.

Ricardo Barros é ministro da Saúde

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