MP manda investigar delegado afastado de caso de estupro coletivo

Se condenado por crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, Alessandro Thiers pode pegar até dois anos de prisão

Por O Dia

Rio - O promotor Homero das Neves Filho, titular da 23ª Promotoria de Investigação Penal do Ministério Público, determinou que o delegado Alessandro Thiers seja investigado por crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, que submete criança ou adolescente a vexame ou constrangimento. A pena varia de seis meses a dois anos de prisão. Ele foi afastado do caso de um estupro coletivo contra uma jovem, de 16 anos, na Praça Seca, Zona Oeste do Rio. O pedido foi feito pela advogada Eloisa Samy, que foi substituída por um defensor público. 

O promotor ainda pediu o depoimento de todos os policiais que atuaram nas investigações, da mãe da vítima e da advogada que acompanhou os depoimentos na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI). A Polícia Civil ainda não se pronunciou sobre o caso. 

Jovem foi vítima de estupro coletivo na Praça SecaReprodução TV Globo

Na ocasião, a Polícia Civil informou que "a medida visou evidenciar o caráter protetivo à menor vítima na condução da investigação, bem como afastar futuros questionamentos de parcialidade no trabalho".

No documento expedido nesta quarta-feira, o promotor destacou que a conduta do delegado durante a investigação do estupro de uma adolescente foi amplamente noticiada pela imprensa e que, portanto, é “imperioso apurar os fatos”.

Delegada faz acareação

A delegada Cristiana Bento, titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), informou, na tarde desta quarta-feira, que a Polícia Civil vai fazer uma acareação entre os três suspeitos presos pelo estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Morro, na Praça Seca, Zona Oeste do Rio. Raí de Souza, 20 anos, Raphael Assis Duarte Belo, 41 anos, Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20, estão presos. Os dois primeiros se entregaram à polícia ontem e hoje. Lucas foi detido quando dava uma entrevista em um restaurante.

A acareação deve durar até a madrugada. "A chegada do Raphael foi muito importante para esclarecer alguns fatos. Não faremos perícia no colchão onde ocorreu o estupro, pois não acrescenta em nada, além do descarte da reconstituição. Vamos voltar ao local para estudo. Os três presos não serão conduzidos para Bangu hoje. A saída da viima do Estado, no entato, prejudica as investigações. Seria importante que ele desse novos depoimentos", disse Bento.

Conversa entre vítima de estupro e sua amiga. 'Petão' seria Lucas. Para advogado%2C conversa inocenta seu clienteReprodução

Bruna Dias, de 22 anos, amiga da vítima e de Lucas, foi depor na companhia da advogada Tatiana Carvalhais. "A Bruna veio aqui para ajudar e colaborar na elucidação dos fatos", afirmou Carvalhais. "Mandei esse prints da conversa entre eu e ela (a vítima) para o advogado do Lucas", disse Bruna. 

De acordo com o advogado Eduardo Antunes, as conversas entre a testemunha e a vítima no Twitter mostram que o suspeito, que está preso desde esta segunda-feira, não teve participação no crime. No entanto, a polícia ainda não confirmou o conteúdo do depoimento dela.

Na conversa, a testemunha pergunta para uma outra pessoa, que seria a vítima, se "foi o Petão mesmo", como se fosse uma referência a Lucas. A resposta da adolescente teria sido "Não, tá louca (sic)". Em outra parte, a menina disse que recebeu muitas injeções e remédios. Apontado como namorado da jovem, o jogador foi preso enquanto esperava para dar uma entrevista coletiva em um restaurante, no Centro do Rio.

Mais um suspeito se entrega à polícia

Conforme adiantou carta divulgada em uma rede social, na noite desta terça-feira, um dos suspeitos de participar do estupro coletivo de uma jovem de 16 anos em uma favela da Praça Seca, na Zona Oeste, se entregou à polícia, na manhã desta quarta-feira. Foragido da Justiça, Raphael Assis Duarte Belo, de 41 anos, estava escondido na casa de uma tia e foi convencido pelo irmão a se entregar na presença de um advogado.  

LEIA MAIS

Mais um suspeito de participação em estupro coletivo é preso

?Jovem vítima estupro coletivo poderá mudar de nome

Nesta manhã, ele procurou uma equipe da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV). A polícia não revelou o local onde ele estava. Um vídeo do SBT Rio mostra Raphael se entregando na DCAV. O ex-funcionário da TV Globo, desligado no ano passado, foi levado para a Cidade da Polícia para prestar depoimento. Neste momento, a delegada Christiana Bento, que está a frente do caso, está interrogando o homem.

Advogado pedirá habeas corpus

O advogado Eduardo Antunes disse que entrará, na manhã desta quinta-feira, com pedido de habeas corpus na Justiça para o jogador do Boavista Lucas Perdomo. "Vou fazer isso independentemente de qualquer decisão da polícia", afirmou.

Últimas de Rio De Janeiro