Delegacia de Combate às Drogas investiga funks contra vítima de estupro

Letras que ofendem adolescente são disseminadas por usuários em redes sociais

Por O Dia

Rio - A Delegacia de Combate às Drogas (Decod) passou a investigar os autores dos funks que ofendem a jovem de 16 anos, vítima de estupro coletivo no Morro da Barão, Zona Oeste do Rio. Letras no estilo ‘funk proibidão’ de pelo menos duas músicas divulgadas em redes sociais sugerem que a adolescente teria aceitado drogas em troca de sexo.

“Já determinei que a Decod entrasse no caso devido à gravidade e informações do tráfico de entorpecentes”, avisou Ronaldo Oliveira, diretor-geral das delegacias especializadas. Em alguns trechos, supostos traficantes debocham dela. Em um deles, havia mais de 46 mil visualizações de internautas. “Vamos investigar os vídeos”, garantiu o delegado da Decod, Felipe Cury.

Para a Polícia Civil, o novo vídeo descoberto, com 12 segundos de duração, confirma a tese do estupro coletivo. “Se alguém tinha dúvida se houve ou não estupro, com esse celular, a dúvida acabou”, declarou a delegada Cristiana Bento, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), ao comentar as imagens contidas no celular de Raí de Souza, que foi apreendido na sexta-feira.

Ato em Copacabana levou 420 calcinhas%2C representando número de vítimas de estupro a cada 72h no paísSeverino Silva / Agência O Dia

No vídeo, é possível ver a vítima tentando resistir à abordagem dos homens. De acordo com os policiais, Raphael Belo, o terceiro acusado preso, responde: “Não o quê, pô?.” E a adolescente grita: “Ai!”. Na sequência, Belo tenta introduzir um batom nas partes íntimas da garota.

“O que a gente vê é a mão do Raphael (Belo), a voz do Raphael e, na sequência, vê o estupro de vulnerável consumado”, afirmou a delegada, que participou de audiência pública na Alerj para discutir a cultura do estupro.

Belo se entregou na quarta-feira da semana passada. Ele aparece em uma selfie com a adolescente nua e desacordada. No celular, havia uma gravação em que Raí orienta moradores do Morro da Barão a organizar uma manifestação em defesa dos acusados, a mando de traficantes locais.

A ONG Rio de Paz realizou ato ontem em Copacabana para denunciar o abuso sexual e outras violências contra a mulher. Foram exibidas na areia 420 calcinhas, que representam a quantidade de mulheres estupradas a cada 72 horas no Brasil.

Ligações com o tráfico

Os investigadores acharam vínculos do grupo acusado pelo estupro com o tráfico de drogas na região. A Dcod foi acionada para ajudar nas investigações. Os agentes desconfiam que o celular tem outras provas do crime, que poderão ser identificadas pela perícia.

Erros cometidos pelos acusados foram fundamentais para os investigadores da DCAV desvendarem o crime. Um número gravado no celular de Neide Souza, mãe de Raí, fez com que os policiais desconfiassem que ele não jogara o aparelho fora. Pelas redes sociais, foi possível chegar ao apartamento onde o celular estava escondido. Também foi recolhida bermuda parecida com a usada por um dos homens do vídeo. 

?Com informações da Agência Estado

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