Adolescente morre vítima de bala perdida no Morro do São Carlos

Segundo informações, jovem de 14 anos estava na garupa de uma moto quando foi atingida por tiro na nuca. Polícia investiga

Por O Dia

Rio - Uma adolescente de 14 anos foi morta vítima de bala perdida no Morro do São Carlos, no Estácio, no início da madrugada desta sexta-feira. A jovem, identificada como Shayene Santos, estaria na garupa de uma moto quando foi atingida por um tiro na nuca. A Delegacia de Homicídios da Capital (DH-Capital) investiga o caso. 

Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) São Carlos, os policiais da UPP não participavam de nenhuma operação e nem houve troca de tiros no momento em que ela foi atingida. Ainda de acordo com a unidade, eles foram acionados após moradores pedirem socorro para a jovem que tinha sido vítima de bala perdida. O caso aconteceu na Rua Horizonte, na esquina da Rua da Capela (localidade da Capela). A adolescente morreu no local.  

Jovem foi morta por bala perdida no Morro do São Carlos%2C que atingiu sua nucaReprodução Facebook

Entretanto, a família e moradores dizem que tiro partiu do Morro da Coroa, comunidade próxima, onde era realizada uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A mãe de Shayene está no Instituto Médico Legal para a liberação do corpo da filha. Aos prantos, ela acusa a polícia e diz que havia sim um tiroteio na região no momento em que a jovem foi baleada.

"A polícia está dizendo que não houve tiroteio. Houve sim, foi lá na Coroa. Pelo amor de Deus, gente, minha filha foi mais uma vítima de bala perdida. Ela só tinha 14 anos. Ela estudava e estava voltando para casa. Eles são policiais de elite, mas não estão acertando nada, acertaram outra inocente. Eles estão querendo culpar os bandidos, mas foram eles. Minha filha era linda, era feliz", desabafou a auxiliar de serviços gerais Daysi dos Santos, de 39 anos.

Revoltada, a tia da adolescente criticou a postura da polícia cobrou por Justiça. Cristiane Braga Santos relembrou um caso semelhante no Morro do Querosene, onde Carlos Eduardo Nogueira da Silva, de 20 anos, foi baleado enquanto tomava água de coco. Na ocasião, o Bope fazia uma operação no Morro do Fallet, comunidade em frente ao Querosene. Dudu, como era conhecido, inclusive, era amigo de Shayene. 

"Se na comunidade (Coroa) está tendo operação, quem foi? Foi a polícia. Eu sei que a operação foi na Coroa, de repente apareceu tiro lá (no São Carlos). A gente não quer dinheiro, a gente não quer nada, a gente quer justiça. A gente quer ver a cara de quem tirou a vida da minha sobrinha", cobrou. "Minha sobrinha tinha uma vida inteira pela frente e ela foi interrompida, ela estava na sétima série." Segundo ela, a família não tem dinheiro para pagar os custos do enterro. 

A Polícia Militar disse que o Bope estava no Morro da Coroa para apoio à UPP local após um policial ser baleado, mas disse que o não houve confronto na comunidade nem no Morro do São Carlos. "Possivelmente essa jovem foi ferida por criminosos que também vitimaram um policial militar no mesmo dia na região, bem como trata-se de uma prática rotineira de criminosos atirarem a esmo", disse, em nota.

Após a morte da jovem, os moradores desceram o morro e protestaram no Largo do Estácio, queimando objetos na via. Segundo a Delegacia de Homicídios, um procedimento foi instaurado e diligências estão em andamento para identificar as circunstâncias e autoria do fato. Uma perícia foi realizada no local.

Através de sua página em rede social, amigos lamentaram a morte da jovem. "Que Deus conforte essa família. Muito triste ...", escreveu um usuário. O corpo de Shayene será enterrado às 14h30 deste sábado no Cemitério do Catumbi.

Últimas de Rio De Janeiro