Com o fim dos Jogos, cariocas se preocupam com a segurança e o legado

Arenas serão desmontadas a partir do próximo dia 30

Por O Dia

Rio - Com o último fim de semana da Paralimpíada, cariocas se despedem dos Jogos Rio 2016 e pensam em como será a rotina a partir de segunda-feira. Enquanto turistas são os mais empolgados e acreditam que o clima festivo continuará em uma cidade renovada, moradores são mais céticos e se preocupam com os legados e, sobretudo, com a segurança.

A família da Tanili Longo, 38, veio de São Paulo para o último fim de semana de Jogos no Rio. Para eles, não há o que discutir, “O Rio melhorou muito. Deixou de ser só praia e Zona Sul. O Centro entrou no circuito. E agora a gente tira o celular da bolsa sem medo de ser roubada. Por onde anda tem policiamento”, disse Tanili, aproveitando a última sexta-feira do Boulevard Olímpico.

Público aproveitou a última sexta no Boulevard do PortoEstefan Radovicz / Agência O Dia

“Tenho lá minhas dúvidas se essa sensação de segurança vai se manter”, contrapõe Mere Lucia da Cruz, 62, moradora do Meier, que ainda espera a piora na economia. “A conta por toda essa ‘festa’ vai bater no nosso bolso já já”, opinou.

A continuidade das Forças Armadas nas ruas, como pediu o governo estadual, foi garantida até o fim das eleições ontem pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes. O ministro da Defesa, Raul Jungman, afirmou, no entanto, que a Presidência da República precisa ainda editar novo decreto, já que o que autorizou as tropas federais no policiamento durante os Jogos tem validade até segunda-feira.

A PM informa apenas que, com o término dos Jogos, o planejamento operacional será readequado de acordo com as necessidades de cada região.

O aproveitamento das obras e melhorias feitas na cidade é outra preocupação de quem vai continuar no Rio. A Artesã Eunice Barbosa Rebecchi, que expõe seu trabalho na Orla Conde esse fim de semana, acredita que, em período de eleição, o legado pode ficar em segundo plano. “A sociedade precisa se organizar para exigir algum avanço, se não, isso vai cair no esquecimento.”

A Empresa Olímpica Municipal informou que as obras de desmontagem de parte das arenas está previsto para começar no próximo dia 30. Somente a partir de então, segundo o órgão, será possível detalhar a execução das obras. A previsão é de que a maioria da transformação das instalações olímpicas em legado para a cidade, como escolas e equipamentos públicos, seja feita em 2017, já que o prazo para as empresas que serão contratadas realizarem as obras é de um ano após o fim do processo licitatório.

O projeto do legado olímpico apresentado pela prefeitura, como exigência do Ministério Público, garante a criação de quatro escolas em Jacarepaguá e de projetos sociais para iniciação esportiva pelo Rio. Das nove instalações do Parque Olímpico, sete serão mantidas. Serão acrescentadas, depois dos Jogos, uma pista de atletismo de padrão olímpico, duas quadras de vôlei de praia, e um alojamento para atletas de alto rendimento e de base.

Os planos para o Parque Olímpico

O plano da prefeitura para o Parque Olímpico, coração dos Jogos Rio 2016, é transformar o local em um complexo esportivo e educacional, com uma área de 1,18 milhão de metros quadrados, para estudantes e atletas de alto rendimento.

A Arena 2, o Centro de Tênis e o Velódromo vão fazer parte do Centro de Treinamento para atletas de alto rendimento. Já a Arena Carioca 1, com capacidade para 16 mil pessoas, além de esporte, vai abrigar eventos como feiras, shows e exposições. A Arena Carioca 3 vai se transformar em um Ginásio Experimental Olímpico (GEO). Já a Arena do Futuro vai dar lugar à quatro escolas municipais.

O Estádio Aquático Olímpico será transformado em dois centros aquáticos, sendo um deles com piscina olímpica. Já o Maria Lenk mantém seu perfil de centro de treinamento para atletas de alto rendimento.

Deodoro sai na frente

O Parque Radical de Deodoro, que durante os Jogos recebeu competições de canoagem slalom e o ciclismo BMX e mountain bike, reabriu ao público no feriado da Independência, no dia 7, e se tornou uma nova área de lazer, com uma piscina gigante, para moradores das zonas Norte e Oeste. Segundo as estimativas da prefeitura, a área será usada por moradores de 10 bairros das zonas Norte e Oeste da cidade e de três municípios vizinhos, beneficiando cerca de 1,5 milhão de pessoas.

Outra novidade será a construção de um bosque no local, ainda sem data definida para a entrega. A gestão de parte das áreas de competições do Parque de Deodoro, com 500 mil metros quadrados, passou para o Exército.

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