Bandidos migram para o Rio para atacar caixas eletrônicos

Criminosos recrutam maçariqueiros para facilitar explosão e corte das máquinas e já roubaram R$ 1,5 milhão só este ano

Por O Dia

Rio - Assaltantes de caixas eletrônicos, especializados em explodir ou cortar os equipamentos, se uniram em uma espécie de consórcio interestadual para atuar no Rio. A conclusão é de agentes da Polícia Federal que integram a Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (Delepat).

A certeza, segundo o delegado da PF, Marcelo Prudente, se baseia no perfil dos cerca de 100 ladrões presos pela instituição e por agentes da Delegacia de Roubos e Furto (DRF) da Polícia Civil desde 2015.

Acessórios apreendidos por agentes após investigações de quadrilhas especializadas nas explosões de caixas%2C crime que cresce no estadoDivulgação / Polícia Federal

Só este ano, pelo menos 32 ataques a caixas eletrônicos já foram registrados no estado. Apenas um a menos que durante todo o ano passado. Em 2014 foram 44 registros. O último ocorreu dentro da fábrica de automóveis da PSA Peugeot, em Porto Real, onde seis invasores armados explodiram seis caixas eletrônicos, cada um contendo entre R$ 60 e R$ 120 mil, na madrugada do dia 14. Na hora da ação, pelo menos 100 funcionários trabalhavam no local.

Os ataques dos bandidos, que passaram a invadir empresas onde há multibancos 24Horas, já teriam rendido a eles, só este ano, mais de R$ 1,5 milhão.

“Bandidos do Rio, incluindo maus policiais militares de diversos batalhões, formam a parte armada, que dá cobertura, com fuzis, granadas e informações privilegiadas, a homens que nunca pegaram em armas, mas são mestres no corte das chapas de aço dos caixas automáticos e no manuseio e colocação de explosivos nos alvos. Não necessariamente são ligadas a facções criminosas, como se pensava”, explica Prudente, após quase um ano de investigações, exaltando a contribuição do Setor de Inteligência da PM, que ajuda na identificação dos policiais envolvidos nos delitos. De sete identificados, três estão presos.

Segundo Wagner Mendes Bezerra de Menezes, outro delegado da Delepat, a rede de maçariqueiros arregimentada pelas quadrilhas, lideradas no Rio por maus policiais militares, é mais ampla do que se pensava.

No início, acreditava-se que esse tipo de empreitada, contratada por até R$ 200 mil por um grupo de profissionais, era negociada apenas no Paraná. “Mas à medida que fomos prendendo os ladrões, deparamos com maçariqueiros de outros estados, sobretudo São Paulo e Ceará.”

Mais proteção

Investimento de R$ 9 bilhões em sistemas de segurança dos equipamentos

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) diz que as instituições do setor atuam em duas frentes para impedir o avanço da criminalidade, da qual “são igualmente vítimas”: investiu cerca de R$ 9 bilhões em segurança, o triplo do que era gasto há dez anos, e cooperando de forma intensa com as autoridades em segurança pública.

“Além disso, são investidas somas expressivas de recursos em tecnologia, e em novos padrões de proteção, muitos deles resultantes dos trabalhos desenvolvidos na Comissão de Segurança Bancária da Febraban, da qual participam representantes das principais instituições financeiras do país”, diz o texto.

Levantamento da federação, com 17 instituições financeiras, mostra que, em 2015, foram registrados 393 tentativas e assaltos no Brasil. “O dano das explosões de caixas força as instituições financeiras a reformar o local e a repor os equipamentos danificados. O prejuízo não é só da rede bancária. mas também da população que depende dos 178 mil equipamentos”, destaca a nota.

Os bancos estão instalando cofres com dispositivo de tempo, sistemas de detecção e de monitoramento por câmeras e alarmes nos caixas. Além disso, reduziram o volume de dinheiro nos equipamentos.

Ataques em mais de 20 cidades

Com cenas semelhantes a filmes de ação, os ataques das quadrilhas são sempre “cirúrgicos”, como define a polícia. Encapuzados e armados de fuzis, granadas, explosivos e pistolas, os bandos passaram a invadir fábricas que têm os equipamentos, onde, em menos de 15 minutos, explodem até dez máquinas de dinheiro. Há pouco tempo, os alvos eram os instalados em postos de combustíveis, farmácias e supermercados.

Para evitar lugares movimentados, o que põe em risco o sucesso dos planos, os bandos direcionaram as ações para empresas à beira de rodovias, como ocorreu na Peugeot há duas semanas. Os ataques ocorrem de madrugada. Desde janeiro, as quadrilhas agiram em mais de 20 cidades do estado. Na Peugeot, as 4h, seis caixas foram pelos ares com dinamites em menos de dez minutos. A fábrica parou e os acessos à cidade foram fechados.

Delegacia prendeu 52 no ano passado

De acordo com a DRF, que investiga roubos e furtos a caixas eletrônicos, cofres e agências bancárias ocorridos na capital, em 2015, foram presas 52 pessoas que integravam as quadrilhas. Este ano já foram detidos 28.

“Os autores identificados teriam agido juntos em várias regiões. As investigações são sigilosas”, segundo a Polícia Civil.

A DRF informa que sua Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE), que presta apoio ao Exército, tem investigações em andamento sobre desvios, furtos e roubos de explosivos no estado, como os do tipo TNT. Elas tramitam em sigilo.

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