Nomeações indicam dificuldade de Roberto Sá para montar cúpula de Segurança

Wolney Ferreira, na PM, e Carlos Leba, na Polícia Civil, são anunciados após a posse do novo secretário

Por O Dia

Rio - A Secretaria de Segurança anunciou ontem que o coronel da reserva da Polícia Militar, Wolney Dias Ferreira, é o novo comandante-geral da PM. Para a chefia da Polícia Civil foi escolhido o delegado Carlos Augusto Leba. As nomeações surpreenderam e indicam a dificuldade do delegado Roberto Sá para montar a nova cúpula da Segurança.

Há menos de uma semana, o próprio substituto de José Mariano Beltrame havia pedido ao ex-comandante da PM, coronel Edison Duarte, que ficasse no cargo. Entretanto, após reunião entre Sá e Duarte, na tarde de ontem, Ferreira foi anunciado. O nome de Leba não era nem cotado para a Chefia de Polícia. Fontes contaram que o preferido do governador em exercício Francisco Dornelles era o subchefe do demissionário Fernando Veloso, delegado Fernando Albuquerque.

Em seu primeiro pronunciamento como secretário, Roberto Sá afirmou que intensificará as investigações sobre o uso de armas de grosso calibre e explosivos por grupos criminosos. Com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, o governador em exercício, Francisco Dornelles, e o governador licenciado Luiz Fernando Pezão, o secretário proferiu um discurso político e não anunciou maiores mudanças no modelo de segurança.

Roberto Sá (centro) quer combater o tráfico de armas pesadas e anunciou núcleo de inteligência em centro criado para a OlimpíadaSeverino Silva / Agência O Dia

“Nós vamos focar e intensificar as investigações de armas de fogo e explosivos, notadamente fuzis, submetralhadoras e explosivos, que são as armas usadas na lógica dessa guerra não desejada por ninguém no Rio de Janeiro”, afirmou Sá, que chamou de ‘coalizão do bem’ a estruturação dessas investigações e o alinhamento com as polícias. “Não é atuação de subordinação. É uma atuação conjunta contra um inimigo comum, que é a criminalidade”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes.

O novo secretário tem como alvo as armas de grosso calibre, que são usadas até em pequenos assaltos. “Quero algo a exemplo do que era a DRAE (Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos), com foco nas armas e instrumentos bélicos usados na lógica do terror.” A estratégia do novo secretário, entretanto, desconsidera pesquisa divulgada pelo Instituto Sou da Paz no mês passado, de que as armas responsáveis pela maior parte dos homicídios no Rio são as de pequeno alcance, como revólveres e pistolas. Essas armas representam um quarto do total apreendido pelas polícias Militar e Civil no Rio.

Indicadores de criminalidade serão focados nas UPPs

O novo secretário de Segurança anunciou a criação, como legado dos Jogos Olímpicos, de um núcleo de inteligência criado no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). A estrutura já está montada e reunirá, 24 horas por dia, a inteligência da Secretaria de Segurança, da Polícia Civil e da PM. O novo secretário pretende realizar reuniões periódicas de avaliação de desempenho dos indicadores de criminalidade, “com muito foco nas UPPs”, que, segundo ele, passarão por ajustes, à medida em que houver recursos.

“As UPPs permanecem com olhar muito mais atento e mais acurado, visando ao seu fortalecimento porque assim a sociedade deseja e é um projeto exitoso”. Sobre a crise financeira do estado, ele afirmou que “recursos humanos otimizados independem de dinheiro”.

Ao abordar o foco na redução da letalidade violenta e controle da criminalidade, Sá enfatizou que “todas as ações irão convergir para a preservação da vida” e que sua gestão será pautada pela valorização do profissional. “Nosso soldado, lá da ponta, tem muito a contribuir nas discussões de segurança pública”, disse ele, que foi major da PM do Rio e deixou o Bope após se envolver em um caso de auto de resistência em Manguinhos.

Roberto Sá afirmou que ampliará a participação dos conselhos comuntiários de segurança no diagnóstico da criminalidade no chamado Sistema Integrado de Metas. “Nós vamos pautar nossas ações por uma atuação qualificada e integrada das polícias”, afirmou. O ministro da Justiça reafirmou apoio federal às ações de segurança no Rio, que, segundo ele, devem atuar em parceria com as polícias Federal, Rodoviária Federal e Força Nacional.

Wolney é oficial da reserva e Leba comandava 1ª DPA

Os novos chefes das Polícias Militar e Civil têm em comum o fato de serem “ficha limpa”. O coronel Wolney Dias Ferreira tem 55 anos. Entre as várias funções desempenhadas ao longo de sua carreira, foi corregedor interno da Polícia Militar. Mas atualmente estava na reserva. “Desejo a ele sucesso nesta jornada, em especial pelo momento desafiador para todos nós”, afirmou Roberto Sá. 

O novo chefe de Polícia Civil, delegado Carlos Augusto Leba, coordenou a área de Projetos Especiais, a Polícia Técnico-Científica e a Divisão Antissequestro (DAS). Em 2002, foi subsecretário de Planejamento e Integração Operacional na Secretaria de Segurança. Atualmente, era titular da 1ª DPA ( Departamento de Polícia de Área).

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