Escolas de samba contam com o apoio de Crivella para fazer o Carnaval de 2017

Blocos de rua também querem ser ouvidos pelo prefeito eleito

Por O Dia

"O prefeito se colocou à disposição para ajudar e deve comparecer à Sapucaí para nos dar apoio"%2C disse Jorge CastanheiraJoão Laet / Agência O Dia

Rio - ‘Como será o amanhã? Responda quem puder’. O inesquecível refrão do samba de 1978 da União da Ilha ainda ecoa nos apaixonados pelo Carnaval, sobretudo em relação ao próximo tríduo momesco, sob a gestão não apenas de Rei Momo, mas do prefeito Marcelo Crivella.

Se depender do presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, os foliões podem ficar tranquilos, que a festa está garantida, sem nenhum tipo de interferência do prefeito eleito.

“Pelo que já conversamos, não deverá haver nenhum tipo de problema. O prefeito se colocou à disposição para ajudar e, inclusive, deve comparecer à Sapucaí para nos dar apoio”, garante Jorge Castanheira.

O dirigente diz que Marcelo Crivella, que viajou para Israel esta semana, compreende o Carnaval carioca não apenas como uma manifestação cultural brasileira.

“Ele sabe, e nos mostrou isso, que o Carnaval é uma marca do Rio de Janeiro, cultural, social e que traz um grande retorno para a cidade, inclusive financeiro. Crivella está do nosso lado”, aposta Castanheira.

A organização dos desfiles de 2017, no fim de fevereiro, dependem muito pouco de Marcelo Crivella. A parte estrutural fica a cargo da atual gestão, cabendo ao novo prefeito apenas sancionar o que está previamente acordado. Ingerências mais profundas só seriam possíveis para 2018.

“Ele garantiu que dará continuidade ao que está acertado em contrato. Vamos aguardar para ver quem será o novo secretários de Turismo e o novo presidente da Riotur , pois o Carnaval normalmente é tratado muito mais com eles do que com os prefeitos”, completou Castanheira.

Prefeito eleito promete obra esquecida por Paes

A manutenção dos contratos e, consequentemente, dos investimentos nas escolas de samba não é o único sonho da turma responsável por realizar o chamado maior espetáculo popular do planeta.

A construção da Cidade do Samba 2, uma promessa de Eduardo Paes que nunca saiu do papel em oito anos de gestão, foi um dos compromissos acordados entre Crivella e as escolas de samba.

“A gente acredita que ele vá cumprir sua palavra. Todos os prefeitos contribuem muito com o Carnaval. O Cesar Maia fez a Cidade do Samba; o Eduardo Paes fez ou reformou quadras de todas as escolas. E a gente sonha, agora, com a Cidade do Samba 2, pois a situação das escolas depois da revitalização da Zona Portuária ficou precária”, explica Jorge Castanheira.

O presidente da Liesa se refere ao fato de muitas escolas terem perdido seus barracões com as obras no Porto Maravilha. As do Grupo Especial utilizam a Cidade do Samba, mas as agremiações dos grupos de acesso, bem como as escolas mirins ainda sofrem para ter seu próprio barracão.

“As escolas mirins estão entulhadas sob o viaduto no Catumbi. Elas, assim como os grupos de acesso, são nossos laboratórios de talentos. É dali que saem as estrelas que vão brilhar no Grupo Especial”, diz Castanheira.

As escolas de samba terão menos tempo para desfilar em 2017%2C com a intenção de dar dinamismo à festaHumberto Ohana/Parceiro/Agência O Dia

Desfile menor e com menos paradas para atrair público

As únicas mudanças previstas para o Carnaval de 2017 foram tomadas pelas próprias escolas. A primeira diz respeito ao tempo de desfile. No ano que vem, em vez de 82 minutos, as agremiações terão que passar pela Marquês de Sapucaí em apenas 75.

O número de paradas em frente às cabines de julgadores também será reduzido de quatro para três, mas sem redução no número de jurados. Haverá um módulo duplo na altura do Setor 6.

“A intenção das mudanças é dar mais dinamismo ao desfile, sem perda na qualidade. Verificamos que quatro paradas em frente aos módulos eram desnecessárias e travavam demais as escolas, atrapalhando a evolução”, explica Castanheira.

A terceira mudança prevista está no número de carros alegóricos. No Carnaval deste ano, cada agremiação poderia levar para a Avenida entre cinco e sete alegorias, sendo que uma delas poderia ser acoplada (totalizando oito). Em 2017, as escolas deverão levar entre cinco e seis alegorias, uma delas podendo ser acoplada.

“É uma mudança que ajuda a reduzir os custos das escolas e também o gigantismo. As escolas querem fazer seus desfiles com menos componentes, entre 3.500 e 4 mil, no máximo”, diz Castanheira.

Ensaios na Sapucaí serão em janeiro

Se os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial serão apenas no fim de fevereiro (26 e 27), os ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí começam no dia 15 de janeiro.
O calendário já foi divulgado pela Liesa, em parceria com a Riotur. As primeiras escolas serão Império Serrano, Paraíso do Tuiuti e União da Ilha.

A última a ensaiar, no dia 19 de fevereiro, como sempre, é a campeã do ano anterior. Desta vez, será a Mangueira, que venceu o Carnaval passado. Nesta data também é feita a cerimônia de “lavagem” da Sapucaí e os testes de luz e som.

Blocos querem apoio em 2017

Se as escolas de samba estão despreocupadas em relação ao Carnaval na Avenida, os blocos de rua ainda vivem a expectativa de manter uma boa relação com o prefeito eleito.

No próximo dia 3, haverá uma reunião entre as quatro principais associações do Carnaval de Rua (Sebastiana, Folia Carioca, Amigos do Zé Pereira e Liga de Blocos e Bandas da Zona Portuária), além de representantes de blocos como Cordão da Bola Preta, Sargento Pimenta e Monobloco. Eles pretendem levar a Crivella as demandas para o próximo Carnaval.

“Nós conseguimos, ao longo dos anos, uma série de conquistas junto à prefeitura, como banheiros químicos, apoio da Guarda Municipal, controle de trânsito pela CET-Rio, postos de saúde e gostaríamos que elas fossem asseguradas”, explica a jornalista Rita Fernandes, presidente da Sebastiana.

No mês passado, ainda como candidato, Marcelo Crivella se comprometeu a manter o apoio da prefeitura ao Carnaval de rua.

“Meu compromisso é ouvir o mundo do samba na busca das melhores soluções para que o Carnaval gere cada vez mais alegria, emprego e renda. A Prefeitura precisa manter a segurança, iluminação e limpeza das ruas. O resto, a alegria do nosso povo faz. A prefeitura tem que ser parte da solução, ajudar a organizar a festa e deixar o espetáculo com quem entende”, disse Crivella.

Primeira festa é do padroeiro

O primeiro grande evento da gestão de Marcelo Crivella é o feriado de São Sebastião do Rio de Janeiro, padroeiro da Cidade Maravilhosa, comemorado pela Igreja Católica e pelos cariocas no dia 20 de janeiro.

Em seu discurso após a vitória nas urnas, no domingo passado, Crivella, que é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, agradeceu o apoio dos católicos. E nesta semana revelou que recebeu mensagens de apoio do cardeal arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta.

A Arquidiocese, que durante a campanha desautorizou uma foto de Dom Orani em material de campanha de Crivella, bem como um manifesto de padres em favor de Marcelo Freixo, não quis saber de polêmica e disse que fará a festa em homenagem ao padroeiro “como sempre fez”.

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