Facção dentro de presídio pede homenagem a supostos traficantes mortos

Pedido teria sido feito neste domingo, após operação da PM que deixou sete pessoas mortas e outras feridas na Cidade de Deus

Por O Dia

Rio - Uma gravação mostra o momento em que uma chamada "circular do luto" é lida por traficantes dentro de uma cadeia no Complexo Penitenciário de Bangu, na qual estão presos da facção Comando Vermelho. A leitura, segundo afirmaram agentes penitenciários ao DIA, ocorreu neste domingo, logo após a operação policial na Cidade de Deus. na Zona Oeste do Rio, em que sete pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas.

O áudio começa com um homem avisando que vai ser "passado o luto" e chama a atenção para o rádio ligado.

Em seguida, após todos ficarem em silêncio, um outro se apresenta e  usa termos militares para dizer que supostos integrantes da facção  morreram "em cumprimento do dever" e pede "um minuto de silêncio" para cada. No total, sete apelidos são lidos na circular.

Moradores retiram corpos sete corpos de área de mata da Cidade de Deus%2C ocupada por megaoperação após queda de helicóptero da PMLuiz Ackermann / Agência O Dia

A seguir, a transcrição do diálogo:

- E ae coletivo, está geral na escuta?
- Na escuta.
-Primeiramente...
- Comando Vermelho! (Em coro)
- Primeiramente, CVLRLJU ( Comando Vermelho Liberdade Respeito Lealdade Justiça e União). Circular do luto.
Caros amigos irmãos, viemos informar ao nosso valoroso coletivo, que hoje, logo após às 18h, haverá 1 minuto de silêncio em memória e respeito pelo triste falecimento do nosso amigo irmão 'Velho do Karatê', da Cidade de Deus, que veio a falecer em confronto com os vermes, no cumprimento do seu dever.

'Verme' é a forma como traficantes chamam agentes de segurança pública.

A leitura da circular continua e, pedindo a mesma homenagem, são citados outros seis apelidos: 'Enzo do Karate'; Marlon do Karatê'; 'Pula Pula'; 'Robert do Karatê';  'Tupi' e 'Doze molas'. O orador encerra sua leitura afirmando que todos os mortos "partiram desse mundo para se encontrar com Deus e que Deus os tenham". Em coro, os presos respondem "em todo lugar".

As investigações sobre as mortes ocorridas na Cidade de Deus estão a cargo da Divisão de Homicídios da Capital. Moradores relataram supostos abusos policiais.

Em relação às denúncias, o major Ivan Blaz, porta-voz da corporação disse que todos os mecanismos correcionais da PM estão à disposição.


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