Justiça autoriza prisão de suspeitos por morte de turista italiano

Roberto Bardella foi assassinado no Morro dos Prazeres. Juíza diz que se envergonha por episódio e que crime mancha ainda mais imagem do Rio

Por O Dia

Rio - A Justiça do Rio autorizou nesta sexta-feira a prisão temporária de seis suspeitos e a apreensão cautelar de um adolescente pelo assassinato do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, no Morro dos Prazeres, em Santa Tereza. As prisões foram representadas pelo delegado André Leiras, da Divisão de Homicídios (DH) da capital, e deferidas pelo Plantão Judiciário. Os sete foram identificados pelo primo da vítima, Rino Polato, de 59 anos, que ficou refém dos criminosos. Segundo a Polícia Civil não serão divulgados os nomes dos envolvidos para não atrapalhar as investigações.

O policiamento foi reforçado no Morro dos Prazeres, de acordo com a Unidade de Polícia Pacidficadora (UPP) local. O Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) faz uma operação na região por conta do episódio desta quinta-feira. 

Turistas italianos Roberto Bardella e Rino Polato viajam em motocicletas e entraram por engano no Morro dos Prazeres Reprodução Facebook

Os decretos de prisão foram expedidos pela juíza Maria Izabel Pena Pieranti, que destacou que o crime mostra como os cariocas estão vulneráveis à violência e mancha ainda mais a imagem da cidade e do Brasil. "Tenho que a conduta dos indiciados não atingiu apenas o patrimônio, a vida e o direito de ir e vir das vítimas, ambas turistas italianos. Em verdade, o hediondo episódio maculou, ainda mais, o nome e a fama desta sofrida cidade do Rio de Janeiro e, por via de consequência, de todo o Brasil, que ostenta alarmantes índices de criminalidade urbana. Como cidadã e como magistrada que sou, tristemente declaro que me envergonho a cada nova ocorrência similar", emitiu a juíza em parecer.

"E a imprensa local, nacional e estrangeira - sensível e eloquente voz da sociedade -, fez repercutir a notícia, dando larga divulgação ao crime que a todos chocou sobremaneira. Com efeito, o evento evidencia a extrema vulnerabilidade dos cidadãos que aqui vivem ou que por aqui passam. E, pior ainda, o evento ora versado e analisado não foi um episódio isolado. Ao contrário e, lamentavelmente, várias outras situações assemelhadas ocorreram nos últimos tempos. Em verdade, estão elas se tornando corriqueiras”, finaliza o texto.

Roberto e Rino eram motociclistas e faziam uma viagem de férias pela América Latina. Vindos por Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, nos veículos com placas da União Europeia, eles pretendeiam percorrer o Brasil. No entanto, ao retornarem de uma visita ao Cristo Redentor, pegaram o caminho errado, por conta do uso de GPS, segundo a polícia, e foram parar em um dos acessos da comunidade, onde se depararam com criminosos armados.

Confundido com policial 

Segundo o delegado Fábio Cardoso, da Divisão de Homicídios, uma câmera acoplada ao capacete de Roberto fez com que ele fosse confundido com um policial. Ele desobedeceu a ordem de parar a moto e foi baleado na cabeça e no braço, morrendo na hora.

Rino se salvou ao parar a moto, erguer os braços e retirar o capacete. Ele só foi liberado quando os bandidos perceberam que eram turistas e que seu capacete era diferente do outro. Mesmo assim, foi feito refém por duas horas e ficou traumatizado.

O italiano viu o corpo do primo ser jogado na mala de um carro branco, depois foi obrigado a entrar no veículo, sob a mira de fuzis, e ficar por cerca de duas horas nas mãos dos bandidos. 

As provas do crime foram destruídas e outras, como celulares e câmeras, enterradas pelos traficantes, de acordo com investigações. Em depoimento, Polato contou que viu bandidos usarem luvas para lavar as motocicletas e apagar suas impressões digitais. 

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