Polícia pede prisão de PM, mulher de embaixador e de mais um suspeito

Os três estão na DHBF e são acusados de participar da morte do diplomata grego. Outro homem será testemunha do caso

Por O Dia

Rio - A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) pediu, no fim da manhã desta sexta-feira, a prisão de um policial lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Fallet, de um homem identificado como Eduardo Moreira Tedeschi de Melo e da mulher do embaixador grego desaparecido, Françoise Amiridis. Na tarde desta sexta, os agentes pediram a prisão de outro envolvido, mas ele será apenas testemunha do caso. A suspeita, segundo os policiais, é de crime passional. A Justiça já recebeu os pedidos. 

O PM Sergio Gomes Moreira Filho%2C 29 anos%2C está detido na delegacia desde quinta-feiraWhatsApp O DIA

Os três são apontados como suspeitos de participação na morte do diplomata Kyriakos Amiridis, 59 anos. Segundo o depoimento dos dois homens, a mulher seria a mandante do crime. Ela nega. As investigações apontam que a vítima teria sido morta em casa. No sofá da residência, que fica na Rua Antenor Gomes dos Santos, 10, a perícia encontrou vestígios de sangue e apura se a prova bate com o tipo sanguíneo do embaixador.

O militar Sergio Gomes Moreira Filho, que sempre trabalhou em UPPs e era considerado Apto A (apto para qualquer serviço), está na DHBF desde ontem à noite prestando depoimento, conforme a editora Joana Costa publicou com exclusividade na edição impressa desta sexta-feira do jornal O DIA. Ele confessou o crime após os agentes mostrarem um vídeo que identifica o PM entrando e saindo da casa do embaixador. Moreira Filho também confirmou que mantinha um relacionamento com Fraçoise há pouco tempo.

A mulher do diplomata e o terceiro suspeito chegaram na especializada pela manhã. A companheira foi a responsável por relatar o desaparecimento do embaixador. 

Os parentes da embaixatriz já estão na delegacia. A mãe dela, Rosangela Oliveira, comentou que Kyriakos era uma pessoa muito querida e que ninguém da família sabia do relacionamento de sua filha com o policial militar.

O carro possui as mesmas características do alugado pelo embaixadorAgência O Dia

Os indícios de que o carro carbonizado encontrado na tarde desta quinta-feira próximo ao Arco Metropolitano seria de Kyriakos só crescem. O cadáver foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). A Polícia Civil aguarda o resultado do exame de DNA para confirmar a identidade da vítima.

Kyriakos Amaridis, que vivia em Brasília, mantém residência em Nova Iguaçu para ficar próximo dos parentes de sua mulher, com quem tem uma filha de 10 anos. 

Mulher do embaixador foi ouvida pela Polícia CivilReprodução Internet

De acordo com o delegado Evaristo Pontes, da DHBF, Françoise contou em depoimento que Kyriakos Amiridis deixou a casa da família na noite de segunda-fera, sozinho, dirigindo o Ford Ka, e até ontem não havia informado onde estava e tampouco atendia às ligações telefônicas para o seu celular.

A mulher do embaixador procurou, primeiramente, a Polícia Federal, na tarde de quarta-feira. Como o caso não tinha relação com nenhuma atividade diplomática de Amiridis, que estava de férias, o caso foi encaminhado ao setor de Descoberta de Paradeiros da DHBF.

Os policiais passaram o dia recolhendo imagens de câmeras de segurança e buscando informações de consumo em cartões de crédito e dados de uso de celular e acesso a contas bancárias.

Carro carbonizado foi encontrado próximo ao Arco Metropolitano na noite desta quinta-feiraReprodução TV Globo

Carreira

Kyriakos Amiridis começou sua carreira diplomática em 1985, tendo passado por países como Sérvia, Bélgica e Holanda e Líbia. Foi cônsul-geral da Grécia no Rio de Janeiro entre 2001 e 2004 e, em janeiro deste ano, assumiu o posto de embaixador-geral da Grécia no Brasil. O Ministério das Relações Exteriores informou que não comentará o assunto. 

Com reportagem de Jonathan Ferreira

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