Hospital Salgado Filho superlotado

Familiares acompanham pacientes no corredor. Direção reconhece 'aumento de demanda'

Por O Dia

Rio - Pacientes superlotam a emergência do Hospital Municipal Salgado Filho (HMSF), no Méier. Já não há espaço na chamada Sala Amarela, onde são atendidos os casos de maior urgência. Sem lugar, os doentes se espremem nos corredores. No domingo eram pelo menos 90 pacientes para apenas quatro técnicos de enfermagem. “Trabalho aqui há mais de 30 anos e nunca tinha visto uma situação pior. Atendemos sem ter condições. Isso até prejudica nossa própria saúde. Fazemos dupla jornada e ganhamos R$ 600 só para ‘tapar buraco’. Se não tivesse, estaria pior ainda”, contou um funcionário.

A diarista Sandra Chaves, de 58 anos, que ficou a madrugada inteira ao lado do marido, confirma: “Tem muita gente para pouco espaço. O banheiro fica muito sujo, com muito xixi no chão. Teve um doente que ficou a noite gritando, sem ninguém dar atenção”, contou. O serralheiro Ney Chaves, 57, que teve um problema no coração, acredita que tem sorte em estar no corredor: “Lá dentro [na Sala Amarela] é ainda pior. Pelo menos aqui está sempre passando gente”.

Com Sala Amarela lotada%2C pacientes ficam no corredor do Salgado FilhoFoto de leitor

A direção do hospital informou que recebeu um “aumento de demanda” nos últimos dias e que “cerca de 50% dos pacientes que têm buscado assistência são de outros municípios”, o que sobrecarrega o atendimento. “O HMSF funciona com seu quadro de funcionários normal”, acrescenta a nota. E nega que faltem refeições para os pacientes.

Mutirão de cirurgias

A Secretaria municipal de Saúde informou que até fevereiro vai fazer um mutirão para reduzir as filas por cirurgias em cinco hospitais, incluindo o Salgado Filho — os outros são Souza Aguiar, Miguel Couto, Lourenço Jorge e Hospital Municipal Jesus (este, especializado em pediatria). A fila de espera já passa de 7,5 mil pacientes. Ao todo, 140.387 pessoas estão cadastradas no Sistema de Regulação (Sisreg) à espera de algum procedimento na rede pública, seja cirúrgico, consultas ou exames.

?Reportagem da estagiária Alessandra Monnerat

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