Mesmo interditada, ciclovia Tim Maia ainda é usada por ciclistas e pedestres

Queda de parte da pista em abril do ano passado causou duas mortes. Ministério Público defende demolição da obra

Por O Dia

Rio - Um ano após a tragédia na Ciclovia Tim Maia que matou duas pessoas, muita gente continua se arriscando no trecho, mesmo com o trânsito interditado para pedestres e ciclistas por ordem judicial. Durante as duas horas em que permaneceu no local, a equipe do DIA presenciou várias pessoas pulando a barreira de concreto instalada para impedir o acesso à pista. Um homem com a esposa e um filho adolescente atravessaram a mureta com suas bicicletas no sentido Vidigal-São Conrado. Perguntado se não tinha medo de arriscar a sua vida e a da família, ele respondeu: “Não tem perigo nenhum. Zero medo”. E seguiu tranquilamente. Outro rapaz que corria na pista pulou a mureta. Além de instalar barreiras de interdição, a prefeitura colocou guardas municipais no local para proibir a passagem.

Nas duas horas em que a equipe do DIA permaneceu no local%2C vários ciclistas e pedestres foram vistos ultrapassando a barreira de concretoDivulgação

Laudo emitido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ) recomendou a interdição total da ciclovia até a recuperação total da pista e que sejam feitos estudos para avaliar a melhor maneira de corrigir as falhas. “Foi um erro tipicamente estrutural, não de mão de obra ou cimento”, disse o prefeito Marcelo Crivella. Na quinta-feira, ele assinou um decreto que determina que toda obra no município que envolva cálculo estrutural de ciclovia, edifício, túnel ou ponte feito para a prefeitura seja revisto por uma “empresa de consultoria de alto saber e comprovada experiência”. A decisão será publicada na segunda-feira, no Diário Oficial do Município, como divulgou o ‘Informe do Dia’ ontem.

“Isso já é feito no mundo, mas não no Brasil. Quando o município recebe uma obra, mesmo enorme, o cálculo estrutural é feito por um engenheiro, mas não há exigência de uma revisão feita por uma consultoria. Agora vai precisar ter essa revisão. Se tivessem feito isso, um ano atrás, a ciclovia não teria caído”, disse Crivella, durante visita ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo.

Após analisar o laudo do Crea-RJ, o juiz Marcello Alvarenga decidiu manter a interdição da via no trecho entre o número 318 da Avenida Niemeyer e São Conrado. Com pouco mais de 3 quilômetros e avaliada em R$ 44 milhões, a obra poderá ser demolida. De acordo com o promotor Paulo Sally, em uma ação civil pública que está na 32ª Vara Criminal, “a ciclovia é uma via de passeio público, mas se não houver laudo que comprove essa possibilidade, em último caso, o MPRJ reque que a Justiça considere a hipótese de demolição”. O município ainda não divulgou a empresa que será responsável em fazer a revisão dos projetos, mas o secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, Índio da Costa, garantiu que a ciclovia só será reaberta se houver segurança para todos.

Ato lembra morte de engenheiro

Em abril do ano passado, uma forte onda levou parte da ciclovia e as vidas do gari comunitário da Rocinha Ronaldo Severino da Silva, de 61 anos, e do engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, 54, que passavam por ali. Ontem, cerca de 50 pessoas, entre familiares e amigos de Eduardo, vestidas com camisetas que estampavam a foto dele, fizeram um ato em frente ao Forte de Copacabana e pediram que o caso não seja esquecido. No local, a viúva da vítima, Eliane Fernandes, permaneceu o tempo todo em silêncio, com uma rosa branca na mão. “A ideia é não deixar a coisa ser esquecida. Marinho era uma pessoa do bem e se foi de maneira trágica, absurda”, lembrou Ricardo Teixeira, amigo de infância de Eduardo.

Amigos de engenheiro morto na ciclovia fazem homenagem no Forte de Copacabana. “A ideia é não deixar a tragédia esquecida”, diz amigoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

O processo criminal está na fase de citação e apresentação de defesa, quando dá ao réu o conhecimento do processo. A ação é movida pelo Ministério Público e está na 32ª Vara Criminal. O inquérito da 15ª DP (Gávea), que originou à ação do MP, responsabilizou por homicídio culposo 14 pessoas, entre funcionários da Geo-Rio, do consórcio Contemat/Concrejato, da Engemolde e também da Subsecretaria Municipal de Defesa Civil.


Do estágio Rafael Nascimento, com a supervisão de Rosayne Macedo

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