Polícia investiga plano para executar sindicalista

Denúncia aponta soldado PM Sauler Sakalem, filho de subsecretário da Seap, como um dos articuladores do esquema para matar Wilson Camilo, presidente do Sindicato dos Inspetores Penitenciários

Por O Dia

Rio - A Corregedoria da Polícia Militar e da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) vão investigar a informação recebida pelo Disque-Denúncia nesta segunda-feira relatando uma conspiração para matar o presidente do Sindicato dos Inspetores Penitenciários, Wilson Camilo. A mensagem, à qual O DIA teve acesso, diz que o soldado PM Sauler Sakalem e milicianos “conseguiram a transferência de Camilo para Bangu, pois pretendem matá-lo”. O ataque, diz a denúncia, ocorreria até sexta-feira, no trajeto para o trabalho.

PM Sauler Sakalem teria se unido a milicianos para ataque até sextaReprodução

Conforme matéria publicada nesta segunda-feira, o PM Sakalem é filho do subsecretário de Unidades Prisionais, Antônio Sakalem. Ele trabalha com o pai no Complexo de Gericinó. Os dois são parentes de Fábio Nadaes, apontado pela Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) como braço-direito do miliciano Carlinhos Três Pontes, morto no mês passado.

Nadaes foi preso pela segunda vez na sexta-feira. Na primeira prisão de Nadaes, estava ao seu lado o PM Sauler, padrinho de seu casamento. Na festa, em 2015, o próprio Três Pontes, já foragido, teria comparecido. “Nadaes não é um miliciano qualquer. Tem um padrão de vida alto", disse um investigador da Draco.

Camilo, que era lotado em Niterói, afirmou que o plano para matá-lo é uma retaliação. “Sou colaborador do Ministério Público em processos sobre irregularidades dentro do sistema prisional”, disse. O inspetor contou que estava de licença especial que, por lei, não poderia ter sido interrompida. Mas há 15 dias, inexplicavelmente, ele teve que retornar ao trabalho e foi transferido para Bangu. Em nota, a Seap disse que abriu apuração sobre a denúncia recebida, mas que a transferência faz parte da rotina da pasta. Já o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Wolney Dias, afirmou que “a Corregedoria está fazendo apuração de todas as denúncias”. Procurados, Sauler pai e filho não quiseram dar entrevistas.

Em junho de 2016, o nome do subsecretário da Seap foi citado em depoimento do coordenador da pasta, Fábio Sobrinho, realizado em juízo na Vara de Execuções Penais. Sobrinho disse que Sauler recebia dinheiro pela transferência de milicianos. Até hoje, o MP não investigou a denúncia.

Nesta segunda-feira, O DIA denunciou um plano para matar o promotor André Guilherme Freitas, da Promotoria de Justiça de Execução Penal. As negativas de transferência de milicianos de presídio por parte do promotor teria sido a motivação, conforme descrito em um áudio.

MP pede à Seap apuração interna

O procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, encaminhou um ofício ao secretário de Estado de Administração Penitenciária, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, pedindo apuração interna sobre o plano que estaria sendo elaborado por milicianos presos em Bangu contra o promotor André Guilherme Freitas.

Em nota, o MP disse que “vem fornecendo todo o suporte necessário ao promotor. A Coordenadoria de Segurança e Inteligência, a Secretaria de Estado de Segurança e a Delegacia de Repressão às Ações Criminais (Draco) trabalham juntas para identificar a autoria das ameaças dirigidas".

A Draco pede que denúncias sejam feitas ao Disque-Denúncia pelo número 21 2253-1177. O anonimato é garantido.

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