Marido é suspeito por desaparecimento de vítima, diz família

Valdina de Souza Araújo desapareceu na madrugada desta segunda-feira. Moradora da Maré trabalha há 17 anos com uma barraca no Leblon

Por O Dia

Cartaz de Valdina de Souza AraújoDivulgação

Rio - Uma moradora do Complexo da Maré está desaparecida desde a madrugada desta segunda-feira. Ao DIA, uma das filhas e dois irmãos da vendedora de salgados Valdina de Souza Araújo, de 44 anos, afirmaram que suspeitam do marido da vítima, que é conhecida na região como Val.

"Tudo indica que é ele, eu já o vi enforcando minha mãe várias vezes. Ao falar do desaparecimento para gente, meu padrasto disse que ela saiu de casa à 1h, após receber uma mensagem. Ele é extremamente ciumento, nunca deixaria minha mãe sair de casa sozinha aquela hora", conta Natália Souza, de 22 anos, filha da ambulante.

De acordo com a jovem, o padrasto contou sobre o desaparecimento, na manhã de segunda-feira, para os familiares de Val. "Eu achei tudo muito estranho, porque nesses 17 anos que minha mãe trabalha na barraquinha dela no Leblon, ela nunca faltou". Natália diz que foi em algumas Unidades de Pronto Atendimento, hospitais e até mesmo no IML.

A filha, que mora em cima da casa da mãe, afirma que ouviu somente barulhos no portão. "Eu escutei batendo quatro vezes e o carro saindo, mas não pensei que fosse algo grave, porque não teve grito, nem ouvi discussões dos dois", relata a jovem.

Natália diz que o celular da mãe foi confiscado para as investigações. "Mas ao contrário do que ele disse sobre a mensagem no WhatsApp, o último visto da minhã mãe no aplicativo foi às 14h14".

Segundo o irmão da desaparecida, Edilnailson Coelho, o marido de Val tinha um histórico violento. "Ela já prestou queixa usando a Lei Maria da Penha, mas retirou porque tinha esperança dele mudar", conta. Edinailson diz ter se surpreendido com a reação do cunhado. "Ele pediu para gente não compartilhar fotos nas redes sociais. Enquanto nos mobilizamos para encontrá-la, ele fiou dormindo em casa".

Edinalison diz ter questionado os vizinhos sobre a movimentação no dia do desaparecimento. "Todo mundo diz não ter visto nada, exceto um conhecido que diz tê-lo visto por volta das 3h e ele parecia desesperado".

Val e a filha Natália SouzaReprodução Internet

Ingrid Souza, 22 anos, conta que passou o domingo com a irmã e não houve discussão no momento em que estava na casa do casal. "Ela estava animada fazendo bolo para barraca dela. Quando ele me disse do desaparecimento minha reação foi questionar: 'você matou minha irmã?' e ele me negou, mas o único suspeito é ele", conta a jovem.

"Eu não tenho esperança de encontrar a minha mãe com vida. Ele estava com marca de mordida no pulso. Até questionei sobre isso, mas disse que era da buzina", diz Natália.

O irmão da desaparecida também diz não ter muitas expectativas sobre o desfecho da história. "Ou ele está com ela presa em algum lugar. Ou ele a matou e jogou em algum lugar. Ou ele mandou alguém fazer isso", finaliza Edilnailson.

A Polícia Civil informou que a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) abriu inquérito para investigar o caso. Parentes da mulher já prestaram depoimento na especializada. Os agentes pedem contato através dos telefones: 2202-0338 e 2582-7129 para quem tiver informações sobre o paradeiro da vítima.

O DIA entrou em contato com o marido de Valdina para ouvir a versão dele sobre o desaparecimento. No entanto, o homem disse que a mulher desapareceu à 1h, mas não poderia falar sobre o ocorrido.

Reportagem da estagiária Luana Benedito, sob supervisão de Thiago Antunes

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