Tesouros e relíquias que nem os cariocas conhecem no Rio

Cidade tem gama variada de museus esquecidos nos guias turísticos e pela população

Por O Dia

Rio - Eles raramente aparecem nos guias turísticos do Rio. Até mesmo os cariocas mais antenados sequer já ouviram falar da existência de muitos deles. Porém, verdade seja dita, há uma gama variada de museus espelhada pelos diversos bairros da Cidade Maravilhosa, que, apesar de atrair um número de visitantes bastante reduzido, consegue resistir ao quase total anonimato.

Menorás (candelabros de sete braços) e itens arqueológicos Sandro Vox / Agência O Dia

Entre as instituições que passam despercebidas de cariocas e turistas, exemplos nas zonas Sul, Norte e Oeste. No Catete, o pouco conhecido Museu do Folclore. Em Botafogo, o Museu Villa-Lobos. Já no Engenho de Dentro, o Museu de Imagens do Inconsciente e o Museu do Trem — este em reforma, só vai reabrir no fim de agosto. Em Jacarepaguá, o Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea.

O Centro também abriga diversas instituições pouco conhecidas e visitadas. É o caso dos museus da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio, além do Museu Cartográfico do Serviço Geográfico do Exército e do Museu de Farmácia Antonio Lago — para visitar os dois últimos é preciso agendar previamente.

Diante da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos — na Praça Monte Castelo —, um local frequentemente ignorado, encontra-se o Museu do Negro, instituição privada, fundada em 1938, que funciona no interior da igreja. No acervo, imagens de orixás, fotografias, documentos e esculturas como a da escrava Anastácia e do Velho Negro Joaquim. Segundo o diretor Ricardo Passos, parte dos objetos já esteve ameaçada de virar sucata. “Infelizmente, o museu é mais visitado por turistas do que por cariocas”, lamenta.

Entre os visitantes, Renata Santos, 42 anos, que saiu de Japeri, na Baixada Fluminense. Para ela, o museu serve para resgatar o passado e fazer reflexões sobre a condição atual dos negros. “É uma energia muito boa, desperta reflexão. Muitos nem sequer sabem da existência por falta de divulgação. Os cariocas priorizam pontos turísticos e ignoram a história”, pondera ela.

No Museu da FEB%2C capacetes e armamentos de diversos calibresLuiz Almeida / Agência O Dia

Não muito distante dali, o Museu Judaico, que fica no primeiro andar de um edifício comercial na Rua México. Tem documentos históricos, fotografias, peças arqueológicas e objetos variados. Apesar de escondido, desperta sentimentos. Pelo menos para o professor Zeca de Almeida, 52 anos, que fotografava algumas obras para um trabalho acadêmico. “É um dos poucos lugares que fui onde beleza e sofrimento dialogam. De um lado, uniforme usado pelas vítimas das câmaras de gás; do outro, o diário de Anne Frank com seus relatos emocionantes”, comenta ele. 

Itens de ex-pracinhas em museu

Quem passa pela pequena e pouco movimentada Rua das Marrecas, no Passeio, nem dá conta que no número 35 existe o Museu da Força Expedicionária Brasileira (FEB), no primeiro andar da sede da Associação Nacional dos Veteranos da FEB. No acervo, diversos itens utilizados pelos ex-combatentes brasileiros e também pelas tropas americanas, inglesas, italianas e alemãs durante a II Guerra Mundial.

De acordo com o guia Alexandre Gil de Souza, o museu tem ainda outras relíquias, como uma bandeira nazista recolhida de um prédio na Alexandria, na Itália, e que serviu de Quartel General Alemão — a peça foi trazida por um oficial brasileiro. “Outra preciosidade é o distintivo bordado do fardamento das Forças Auxiliares Femininas da Itália, que homenageia Piera Gatteschi, a primeira oficial mulher do Exército italiano”, destaca Alexandre de Souza, acrescentando que o local tem ainda equipamentos de comunicação, armamentos, fardas e até minas terrestres.

Pela primeira vez no Museu da FEB, o funcionário público Elias Fernandes conta que, apesar de trabalhar por perto, nunca tinha percebido que ali funcionava um museu. “Fui almoçar e finalmente me dei conta. Entrei para conhecer e gostei, já que tem um bom acervo e proporciona uma volta ao passado, mostrando toda a brutalidade da guerra”, avalia Fernandes. 

*Colaborou o estagiário Matheus Ambrósio

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