Operadora de TV a cabo teve prejuízo de R$ 10 milhões, diz delegado

Nesta sexta-feira, foram cumpridos 15 mandados de prisão preventiva

Por O Dia

Rio - O prejuízo da operadora de TV a cabo Claro NET foi de R$ 10 milhões, por causa de uma organização criminosa que fraudava os serviços da empresa, de acordo com o delegado Hilton Pinho Alonso, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), reponsável pela investigação.

Nesta sexta-feira, agentes da especializada e do Ministério Público (MPRJ) realizaram uma operação para cumprir 15 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão em bairros do Rio de Janeiros e na Baixada Fluminense. Na ação, foram apreendidos diversos equipamentos da Claro NET.

Polícia apreendeu diversos aparelhos da Claro NETDivulgação

Segundo o MP, o golpe era aplicado por funcionários e proprietários das empresas CRJ Laboratório de Informática, MBA Telecom, SAF Telecomunicações, JM3 Telecomunicações e Eletrolinda Assistência Técnica, credenciadas pela operadora para prestação dos serviços de instalação e venda de pacotes de TV a cabo, internet e telefonia. Ao todo 16 pessoas, incluindo um funcionário da Claro NET, foram denunciadas por organização criminosa e estelionato.

"O esquema da organização era complexo e mais refinado que o 'gato Net', por isso as investigações levaram um ano. Eles eram empresas credenciadas e tinham acesso ao banco de dados com todas as informações dos clientes", afirma o delegado.

As empresas vendiam os pacotes (combos), inserindo dados pessoais de supostos contratantes obtidos fraudulentamente, além de endereços de instalação inexistentes. Com isso, as empresas vendedoras do serviço recebiam a comissão pelas vendas e a instaladora recebia por ter feito a instalação, porém, nenhum dos dois serviços havia sido efetivamente prestado.

De acordo com Hilton, as credenciadas prestavam o serviço em outro local, com valores promocionais. "Apesar do valor bem abaixo do mercado esses clientes não desconfiavam porque essas empresas prestavam serviço para Claro", comenta. 

Polícia realizou 15 mandados de prisão preventivaDivulgação

O delegado diz que a Claro era lesada de diversas formas. "Eles perdiam o cliente que queria e levava processo por cobranças indevidas por serviços não prestados. As empresas fraudadoras ainda recebiam comissões e premiações, porque se destacavam nas vendas", revela. 

Segundo Hilton, as credenciadas ainda se passavam por clientes da empresa e renegociavam dívidas para prolongar o serviço. "Como eles tinham acesso ao banco de dados e as informações sobre os clientes, eles negociavam o débito para eles continuarem recebendo", afirma. 

Entre os 16 denunciados está Leonardo Barros Gabriel, conhecido como “Léo da NET” e apontado como o cabeça da organização. Leonardo foi preso em flagrante ao longo das investigações com dezenas de aparelhos pertencentes à Claro NET, cadernos de controle de vencimento de mensalidades e contratos fraudados.

As investigações começaram quando a polícia apreendeu equipamentos roubados da fornecedora de telefonia e TV a cabo, incluindo dois nodes e um amplificador de sinal de rede. Por isso, a operação ganhou o nome de Node. A partir de então, os investigadores encontraram anúncios de equipamentos da Claro NET no site OLX. Neles, havia um número de telefone. A polícia obteve a quebra de sigilo do número e, com as escutas, chegou aos demais integrantes da organização.

Segundo o MPRJ, as diversas fraudes passavam despercebidas pelos órgãos de fiscalização internos da empresa porque os denunciados construíram uma verdadeira rede comum de propinas para funcionários responsáveis pelo controle de fraudes, como, por exemplo, o denunciado Arthur Rivera Tavares, empregado da Claro NET, que maquiava os dados para que o esquema perdurasse indefinidamente.

A NET informou que apoia o trabalho da Polícia Civil, inclusive tendo sido a autora das denúncias que deram início às investigações da operação. Confira a nota na íntegra: 

A NET ressalta que prima pela integridade de seus processos e clientes e vem trabalhando fortemente na identificação de pessoas que usam o nome da empresa indevidamente, com o objetivo de fraude. A operadora apoia o trabalho da Polícia Civil, inclusive tendo sido a autora das denúncias que deram início às investigações da Operação NODE.

 

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