Polícia Civil faz ação contra esquema de TV a cabo clandestina no Rio

Terceirizadas clandestinas são acusadas de causar um prejuízo de R$ 10 milhões às empresas legalizadas

Por O Dia

Rio - Agentes da Polícia Civil e o Ministério Público do estado (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, realizaram nesta sexta-feira, uma operação para cumprir 15 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro. Os alvos são acusados de integrar uma organização criminosa que frauda o serviço de TV a cabo da Claro NET, principalmente na Baixada Fluminense.

Segundo o MPRJ, o golpe era aplicado por funcionários e proprietários das empresas CRJ Laboratório de Informática, MBA Telecom, SAF Telecomunicações, JM3 Telecomunicações e Eletrolinda Assistência Técnica, credenciadas pela operadora para prestação dos serviços de instalação e venda de pacotes de TV a cabo, internet e telefonia. Ao todo 16 pessoas, incluindo um funcionário da Claro NET, foram denunciadas por organização criminosa e estelionato.

De acordo com as investigações, ao menos 330 contratos foram fraudados pela quadrilha.representantes da CRJ, MBA, SAF e JM3 vendiam os pacotes (combos), inserindo dados pessoais de supostos contratantes obtidos fraudulentamente, além de endereços de instalação inexistentes. Com isso, as empresas vendedoras do serviço recebiam a comissão pelas vendas e a instaladora recebia por ter feito a instalação, porém, nenhum dos dois serviços havia sido efetivamente prestado.

O MP informou ainda que os aparelhos decodificadores de sinal referentes aos contratos falsos eram instalados para clientes próprios da organização criminosa mediante pagamento de aluguel entre R$ 70 e R$ 300. Como o contrato formal era fraudado em nome de terceiros que não pertenciam ao esquema, as faturas emitidas pela Claro NET não eram pagas. Após quatro meses, a empresa cancelava o serviço por falta de pagamento. A quadrilha então repetia o golpe para entregar um novo aparelho decodificador ao seu locatário.

Entre os 16 denunciados está Leonardo Barros Gabriel, conhecido como “Léo da NET” e apontado como o cabeça da organização. Leonardo foi preso em flagrante ao longo das investigações com dezenas de aparelhos pertencentes à Claro NET, cadernos de controle de vencimento de mensalidades e contratos fraudados.

As investigações começaram quando a polícia apreendeu equipamentos roubados da fornecedora de telefonia e TV a cabo, incluindo dois nodes e um amplificador de sinal de rede. Por isso, a operação ganhou o nome de Node. A partir de então, os investigadores encontraram anúncios de equipamentos da Claro NET no site OLX. Neles, havia um número de telefone. A polícia obteve a quebra de sigilo do número e, com as escutas, chegou aos demais integrantes da organização.

Segundo o MPRJ, as diversas fraudes passavam despercebidas pelos órgãos de fiscalização internos da empresa porque os denunciados construíram uma verdadeira rede comum de propinas para funcionários responsáveis pelo controle de fraudes, como, por exemplo, o denunciado Arthur Rivera Tavares, empregado da Claro NET, que maquiava os dados para que o esquema perdurasse indefinidamente.

Procurada pelo DIA, a Claro NET não havia se pronunciado sobre o episódio envolvendo as empresas credenciadas até a publicação desta reportagem.

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