Greve de fome de Garotinho é ato de desespero, diz Rosinha

"Nós não cometemos nenhum crime. Não era para o meu marido estar preso, nem para eu ter sido presa e estar usando uma tornozeleira", disse ex-governadora em entrevista ao SBT

Por O Dia

Rio - A ex-governadora do estado, Rosinha Garotinho, disse que a greve de fome do marido, Anthony Garotinho, é um ato de desespero. "Quando ele fala em jejum por um período indeterminado, eu entendo que é um ato de quem está isolado, se sentindo perseguido e amordaçado", afirmou Rosinha em entrevista ao SBT Rio nesta segunda-feira.

Garotinho enviou uma carta, na última quinta-feira, à direção do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, para anunciar que está em greve de fome por tempo indeterminado.

Rosinha Garotinho fala sobre dias na prisão e greve de fome de Anthony Reprodução Vídeo

"Eu acho que uma pessoa que fica tanto tempo sem falar e sem ouvir, é uma pessoa que deve estar se depriminda", comentou. Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), informou que Garotinho não aceitou as refeições nesta segunda-feira, mas passa bem.

Rosinha disse ter se sentido humilhada pela prisão e acusação de integrar um esquema de arrecadação de propina para financiar campanhas eleitorais. "Nós não cometemos nenhum crime. Não era para o meu marido estar preso, nem para eu ter sido presa e estar usando uma tornozeleira", disse a ex-governadora, que cumpre prisão domiciliar desde o dia 30 de novembro.

Na prisão e Adriana Ancelmo

Rosinha afirmou ter ficado os três primeiros dias sem se alimentar na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. "Eu só chorava, após a visita dos meus filhos, eu passei a comer um pouquinho."

Ela comentou sobre os dias que passou ao lado de Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, que chegou um dia depois no presídio. "Antes dela chegar uma pessoa que se apresentou como coordenadora lá de Benfica perguntou se eu tinha algum problema com ela e eu respondi 'todos', mas pediram para que não houvesse problemas", lembrou Rosinha. "Eu respondi 'perfeitamente' e da minha parte não terá ", conclui. 

Retrato falado

De acordo com Rosinha, o marido foi privado de fazer o retrato falado do seu suposto agressor. "Ele foi colocado em Benfica em uma cela com três pessoas. No dia seguinte, colocaram ele em um corredor isolado e nesse dia bateram nele. O IML disse que ele foi atingido por um material contundente. Por que dentro da cela ele teria um material contundente se só tem um beliche e um vaso sanitário?", questionou .

Garotinho denunciou as agressões e pediu para fazer um retrato falado do agressor que disse ter visto. No entanto, ele ainda não foi autorizado a fazer a descrição.

"A Seap pertence a que governo? O secretário já trabalhou com o Cabral e trabalha com o Pezão que é do mesmo grupo", disse Rosinha. "A quem interessa não reconhecer o rosto do retrato falado que o meu marido quer fazer? E ninguém dá o direito dele fazer. É muito estranho."

Sobre as acusações e futuro na política

O casal foi preso sob a acusação de integrar esquema de arrecadação de propina, com direito a braço armado e acordo político com o Partido da República (PR), para garantir eleições da legenda. O grupo JBS teria irrigado a estrutura com contrato fraudulento de R$ 3 milhões. 

"O que estão imputando a nós é um crime de caixa 2. Não tem nenhum político preso no Brasil por crime eleitoral de caixa 2, só a gente. Um suposto crime eleitoral, que não nos deu o direito de defesa e não teve julgamento", comenta. Sobre o futuro na política, Rosinha não descarta, mas disse estar decepcionada e que o marido é um político nato. 

'Nós servimos à população e não nos servimos dela. O que estão fazendo com a gente é calar o Garotinho justamente deixar inelegível, deixarmos sem ação política e pior nos impedir de denunciar a corrupção", finalizou. 

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