Fumaça preta dos ônibus em extinção

Em dez anos, índice de aprovação ambiental dos coletivos que rodam no estado passou de 83% para 98%

Por O Dia

Rio - No ponto final ou no engarrafamento, aquela fumaça preta saindo dos motores dos ônibus está ficando no passado. Em dez anos, o percentual da frota de coletivos que opera dentro dos padrões estabelecidos pela legislação ambiental saltou de 83% para 98% nas mais de 200 empresas que atuam no estado. Há cinco anos, a taxa de veículos com o Selo Verde — o atestado de aprovação nos quesitos ambientais — era de 94%.

Com o programa EconomizAR, que existe desde 1997 e tem como objetivo reduzir a poluição do ar, o setor conseguiu reduzir, até 2014, 1,96 milhão de toneladas na emissão de dióxido de carbono (CO²), responsável pelo aquecimento global, e 43 mil toneladas de material particulado (partículas muito finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar, danosos à saúde). O total não emitido de CO² equivale, se comparado ao plantio de árvores, a seis vezes a área do Parque Nacional da Tijuca.

Motores Euro V%2C mais econômicos%2C já estão em 50% da frota do RioDivulgação

Segundo Guilherme Wilson, gerente de Planejamento e Controle da Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado), o setor tem a meta de atingir 100% da frota dentro dos padrões ambientais. No entanto, ele classifica o objetivo como uma utopia, já que devido à natureza mecânica dos veículos, eles tendem a se deteriorar. “Quando nossas equipes encontram essa não conformidade, ela é corrigida”, afirma.

A Fetranspor é credenciada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para realizar a medição de gases poluentes emitidos. Cada ônibus aprovado recebe o Selo Verde, resultado da parceria entre a Federação, a Petrobras e o Inea. Para isso, o veículo precisa passar pelos critérios de medição, estar dentro dos níveis de emissão e passar por outras verificações visuais relacionadas ao estado de conservação dos motores, nível de emissão (cor da fumaça) e questões relativas à temperatura do motor.

De acordo com Wilson, os resultados traduzem um processo contínuo de evolução dos motores e do combustível. Segundo ele, o ano de 2012 foi um marco para o fim da fumaça preta, quando chegaram ao Brasil os motores Euro V, nova geração de equipamentos utilizada em larga escala na Europa e que reduz a emissão de material particulado em 80%, e tipos mais limpos de diesel. “Tudo isso se deve à legislação ambiental, que levou o setor a evoluir, e as consequências são a redução de 80% de gases ao meio ambiente”, acrescenta.


Economia de 55 milhões de litros de diesel

Mais de 55 milhões de litros de diesel foram economizados pelas empresas de ônibus do estado só em 2015. Segundo Guilherme Wilson, da Fetranspor, isso foi possível graças à qualidade dos motores, em termos de manutenção, e ao uso racional de combustível.

A quantidade de diesel poupado é o suficiente para manter a operação de 1.500 ônibus durante um ano inteiro e equivale à não emissão de 148 mil toneladas de CO² e de 3,3 mil toneladas de material particulado. Estudos indicam que os efeitos do material particulado sobre a saúde incluem doenças do aparelho respiratório, como câncer respiratório, inflamação de pulmão e agravamento de sintomas de asma.

“Em São Paulo, por causa da poluição, estima-se que 2 mil pessoas morram por ano”, destaca Wilson. Segundo a Fetranspor, desde 2012, todos os ônibus novos são equipados com motor Euro V (50% da frota atual), o que proporcionou uma redução de mais de 140% de emissão de poluentes. Joaquim Thomaz, coordenador do programa Economizar no município, lembra que, em 1997, apenas 46% dos ônibus foram aprovados na primeira fiscalização. Na última vistoria realizada na cidade, segundo ele, o aproveitamento foi de 99%.


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