Crescem os ataques digitais a governos

Estudo da Trend Micro mostra que as instituições governamentais responderam por 81% dos incidentes no segundo trimestre. Brasil ficou na quarta posição do ranking

Por monica.lima

São Paulo - Há cerca de um ano, as denúncias de Edward Snowden colocaram governos de diversos países como alvos de casos de espionagem e de monitoramento de dados. Uma nova pesquisa da Trend Micro — empresa japonesa de segurança — mostra que essas práticas estão ganhando corpo no mundo digital. Segundo o estudo, os ataques a instituições governamentais responderam por 81% do volume global de ataques direcionados — destinados a um alvo específico — no segundo trimestre, contra uma participação de 76% no primeiro trimestre desse ano. Bem distante da primeira colocação, o setor de tecnologia ficou com a segunda posição, com 4% dos incidentes no período de abril a junho.

Para Fernando Merces, especialista de segurança da Trend Micro no Brasil, o aumento do volume de ameaças voltadas a governos é uma tendência natural dentro da evolução da chamada guerra cibernética. “Diferentemente do cibercrime tradicional, o foco desses ataques é o roubo de inteligência e há indícios de que agências governamentais estão por trás dessas iniciativas”, diz. “Muitas dessas ações têm origem na Ásia e no Leste Europeu, especialmente na China e na Rússia, o que não significa necessariamente que estes países estão à frente dessas ameaças. Como possuem mão de obra barata e especializada, muitas vezes eles são contratados por outros países para efetivar esses ataques”, explica.

Na distribuição por países, o Brasil ficou na quarta colocação entre os principais alvos dos ataques, atrás de Taiwan, Japão e Estados Unidos, que foram vítimas de três grandes campanhas no período. No primeiro trimestre, o Brasil não figurava no ranking. A presença do país no ranking do segundo trimestre ajuda a explicar outro vetor de disseminação dos ataques a governos. “Com a Copa do Mundo e as manifestações relacionadas ao torneio, houve uma série de ações de protesto ligadas ao ciberativismo”, diz. Nessa direção, o principal caso local registrado no trimestre foi a invasão ao sistema de comunicação interna do Itamaraty, no fim de maio. “Para esse tipo de ataque, os principais alvos no Brasil são o governo e as empresas de infraestrutura crítica”, observa o especialista.

Além dos ataques direcionados, o Brasil também ocupou a quarta posição entre os países mais afetados por ameaças no segmento bancário, com 7% dos incidentes no trimestre. O Japão liderou o ranking, seguido por Estados Unidos e Índia.

No plano das ameaças relacionadas ao segmento financeiro, um dos pontos destacados por Merces foram os ataques que investem na alteração de informações em boletos bancários. A modalidade foi desenvolvida por hackers brasileiros e foi identificada no início do ano. Nesse tipo de ameaça, depois de infectar a máquina dos usuários, o cibercriminoso aguarda o usuário gerar qualquer boleto na internet para mudar — em tempo real — os dados e o código de barras do documento, e redirecionar o pagamento para uma conta diferente.

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