Procurador diz que não aceita autoritarismo na realização de seminário do MP

'Aceito críticas mas são de pessoas que são da ultraesquerda', analisou o procurador Marcelo Monteiro

Por O Dia

Rio - “Não aceito censura. Isso sim é autoritário”, afirmou o procurador Marcelo Monteiro, um dos responsáveis pela organização do evento intitulado ‘Segurança Pública como Direito Fundamental’, do Ministério Público. Previsto para o dia 15 de setembro, virou polêmica dentro e fora da instituição. Um grupo de promotores pediu ao procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, o cancelamento do projeto.

Um dos palestrantes é o ativista Kim Kataguiri, de 21 anos, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), que, há um mês, lançou campanha para acabar com o regime semiaberto no Brasil. Ele vai integrar a mesa sobre ‘Segurança Pública e Justiça: a visão da sociedade’.

Outras críticas são direcionadas contra o lançamento do livro ‘Bandidolatria e Democídio — Ensaios sobre garantismo penal e a criminalidade no Brasil’, e a discussão sobre tema ‘Desencarceramento mata’.

“Vamos abordar a segurança a partir dos direitos das vítimas e não das perspectivas dos réus”, justificou Marcelo Monteiro, que apoia a iniciativa de Kataguiri de defender o fim do regime semiaberto.

“Há uma reincidência muito grande no cometimento de crime de quem é beneficiado pelo regime semiaberto. Aceito críticas mas são de pessoas que são da ultra esquerda”, analisou Marcelo Monteiro.

Ele revelou que o evento tem o apoio do Ministério Público e do Movimento de Combate à Impunidade, que reúne juízes e promotores. Monteiro rechaçou a informação de bastidor de que procurador-geral Eduardo Gussem desistiu de abrir o evento. A abertura está prevista no material de divulgação do seminário.

‘Evento fascista'

Deputado estadual pelo PT, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) Wadih Damous tratou o evento como adepto do positivismo fascista. “O Kim Kataguiri é um desclassificado. Ainda que o Ministério Público quisesse fazer esse debate que convocasse pessoas para fazer o contraponto. Agora, essa diretriz não honra as melhores tradições do Ministério Público”, criticou Damous.

O evento dividiu as opiniões de promotores. Um grupo pediu até o cancelamento a portas fechadas em uma reunião com o procurador-geral, Eduardo Gussem. Outros sustentam que o endurecimento de leis têm que ser levado em consideração para combater a violência.

O evento conta com a estrutura do Ministério Público e ainda com verba do órgão para a compra de passagens aéreas, como é o caso de Kim Kataguiri.