ISTO É UM ANO DO TOPETUDO NA CASA BRANCA

Por O Dia

ECONOMIA E EMPREGO

Pouco depois da eleição, Donald Trump iniciou em uma fábrica de Indiana sua triunfal turnê da vitória. Mas a promessa de salvar milhares de empregos tem gosto amargo para Duane Oreskovic, que acaba de ser demitido. O funcionário da linha de montagem de aparelhos de ar condicionado Carrier de Indianápolis acreditava que Trump tinha conseguido evitar que a fábrica se mudasse para o México, graças a incentivos fiscais.

"Quando Trump veio e prometeu salvar meu trabalho, acreditei nele. Eu e muitas outras pessoas", disse Oreskovic. "Me enganei. Todos nos enganamos." Desde a posse, houve mais de 500 demissões na fábrica, que o magnata escolheu como símbolo da vitória. Apesar de cerca de 800 vagas na Carrier terem sido salvas graças a incentivos fiscais, os funcionários esperavam mais.

Trabalhadores de vários estados pós-industriais conhecidos como Rust Belt, ou cinturão da ferrugem, foram fundamentais para a vitória de Trump. Há décadas, essa região do centro-oeste sofre com fechamentos de fábricas e demissões. Mas pesquisa da Universidade Ball State de novembro descobriu que 45% dos eleitores de Indiana, estado republicano de onde vem o vice, Mike Pence, desaprova a gestão de Trump em matéria de emprego. Apenas 41% a aprova.

"Foram feitas promessas que talvez não tenham sido cumpridas", disse Chad Kinsella, professor de Ciências Políticas em Ball State. "Haverá repercussões por isso".

Política externa

A imagem de Trump no mundo é pior do que a de seus predecessores, Obama e Bush filho, de acordo com pesquisa Gallup publicada na quinta-feira. Apenas 30% dos entrevistados em 134 países o aprovam. E seus mais duros críticos estão na Europa, no Canadá ou México, tradicionalmente próximos dos EUA.

Para James Lindsay, do Council on Foreign Relations, alguns dos aliados mais próximos "temem o fim da era em que os Estados Unidos exerciam liderança mundial". "Se esse for o caso, as consequências podem ser terríveis", escreveu.

"Temos problemas com europeus, mas o resto do mundo não está descontente", relativiza Jim Jeffrey, pesquisador do Instituto Washington. "Trump não causou muitos danos", opinou.

As ambições nucleares da Coreia do Norte são o principal desafio. A estratégia tem sido convencer o mundo de pressionar Pyongyang para que dialogue através de sanções severas. China e Rússia votaram as últimas resoluções na ONU. Mas com Trump denunciando o líder norte-coreano Kim Jong-Un, e suas promessas de "fogo e ira" ou a "destruição total" da Coreia do Norte fazem temer que a guerra de palavras leve a um conflito nuclear.

Outro protesto mundial: Trump reconheceu no início de dezembro a cidade de Jerusalém como a capital de Israel. Israel aplaudiu, e os palestinos agora negam a Washington qualquer papel de mediação no processo de paz, que o presidente americano desejava reviver, mas que está mais moribundo do que nunca.

Washington anunciou, em junho, a retirada do Acordo Climático de Paris, que Trump considera contrário aos interesses econômicos dos EUA, embora, na prática, isso só ocorra no fim de seu mandato. O presidente francês, Emmanuel Macron, quer convencê-lo a recuar.

IMIGRANTES

Trump completa o primeiro ano à frente do governo com centenas de milhares de cidadãos estrangeiros latinos em sua maioria em um limbo jurídico como resultado de decisões polêmicas da Casa Branca.

Na campanha, Trump prometeu adotar linha dura com os imigrantes ilegais. Agora, os que se encontram mergulhados na incerteza incluem os que gozavam, há até pouco tempo, de um marco legal. Com canetadas, Trump empurrou para a ilegalidade 690 mil imigrantes .

A Suprema Corte informou ontem que examinará a terceira versão do polêmico decreto antimigratório de Trump. O texto proíbe a entrada nos EUA de cidadãos de sete países (Iêmen, Síria, Líbia, Somália, Irã, Coreia do Norte e Chade).

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