Expansão de energia renovável torna redes vulneráveis a hackers

Adição de parques eólicos, painéis solares e medidores inteligentes ao sistema de distribuição de energia abre mais portas por onde os hackers podem atacar a rede, segundo especialistas

Por O Dia

Fazer com que a rede elétrica seja mais ecológica aumenta sua vulnerabilidade a ataques de hackers, o que potencializa o risco de que espiões ou criminosos provoquem apagões.

A adição de parques eólicos, painéis solares e medidores inteligentes ao sistema de distribuição de energia abre mais portas por onde os hackers podem atacar a rede, de acordo com os especialistas de segurança informática que assessoram governos e empresas de serviços públicos. A rede, que tradicionalmente recebia energia de poucas fontes, agora a absorve de milhares delas.

As redes de comunicação e software que conectam as fontes de energia limpa à rede elétrica, assim como os medidores eletrônicos que enviam informações sobre consumo em tempo real aos usuários e às empresas de serviços, proporcionam novos caminhos clandestinos de entrada para hackers que provocam distúrbios. Nesta semana foi divulgado que hackers conhecidos como “Dragonfly” e “Energetic Bear” acessaram redes de energia dos EUA e da Europa nos últimos 15 meses; o fato serviu como um lembrete de quanto o sistema se tornou vulnerável.

“Os ataques à rede saíram da teoria para a realidade”, disse Raj Samani, diretor técnico para Europa, Oriente Médio e África na McAfee Inc., uma unidade da Intel Corp. que é uma das maiores provedoras de software de segurança.

Os serviços públicos, que já enfrentam outros desafios em relação à rede, podem chegar a gastar bilhões de dólares com a segurança informática. Uma nova variedade de insumos de energia está forçando os gerentes da rede a executarem sistemas que transmitem dados sobre os fluxos de energia em tempo real a consumidores e centrais elétricas, fazendo com que as redes, que antes eram controladas de modo fechado, entrem em contato com sistemas de computadores e de telecomunicações que são utilizados por milhões de pessoas.

‘Ataques documentados’

“Houve ataques documentados à rede elétrica, tanto cibernéticos quanto físicos, que provocaram danos a equipamentos, interrupção do serviço e consertos de longo prazo”, disse Sean McGurk, gerente global para proteção de infraestrutura crítica na Verizon Communications Inc., a maior operadora de servidos wireless dos EUA.

Em fevereiro, o presidente Barack Obama assinou um decreto para a avaliação dos trechos da rede mais expostos o risco nos EUA. Muitas empresas de serviços públicos não esperaram pelos resultados da avaliação do governo. Em fevereiro, a Dominion Resources Inc., proprietária da maior companhia elétrica do estado de Virgínia, disse aos investidores que vai investir US$ 500 milhões durante os próximos cinco anos para reforçar subestações fundamentais. A unidade de Ohio da American Electric Power Co. solicitou que os reguladores lhe concedam o direito de cobrar uma taxa especial pela segurança virtual.

Medidores inteligentes

No ano passado, o setor energético já era o sexto alvo mais visado em todo o mundo. Nos EUA, ele foi o principal alvo e contabilizou 59 por cento dos 256 ataques registrados em 2013 pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA. Quase todos os detalhes relativos aos incidentes não são divulgados para evitar danos às empresas atingidas.

Antigamente, todo o uso de eletricidade era aferido por medidores mecânicos, e um funcionário tinha que inspecionar e ler a medição no aparelho. Hoje, os serviços públicos estão passando a usar medidores inteligentes que transmitem os dados, minuto a minuto, a consumidores e companhias. Na Grã-Bretanha, o governo deseja que até 2020 mais casas tenham medidores inteligentes, o que abrirá milhões de novos pontos de acesso aos atacantes. Programas semelhantes estão sendo implementados nos EUA e na Europa.

“Há certa relutância para falar dos ataques porque ninguém quer expor seus pontos vulneráveis”, disse Sameer Patil, professor convidado da Gateway House, empresa de pesquisa em Mumbai que se especializa em terrorismo e segurança nacional. A empresa já observou ataques de hackers chineses e paquistaneses às companhias de serviços públicos da Índia.

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