Sondagem da CNI confirma o péssimo momento da indústria

Intenção de investimentos do setor, novo indicador, também mostra resultado bem pior do que há um ano

Por O Dia

Brasília - O índice de evolução da produção em dezembro ficou em preocupantes 38,3 pontos, segundo a sondagem realizada no início do mês com 2.186 empresas e divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado é o menor da série mensal iniciada em janeiro de 2010, o que significa que a intensidade da queda na produção de novembro para o mês seguinte foi a maior dos últimos cinco anos.

Quanto mais distante do mínimo de 50 pontos estiver o índice, maior será a contração que ele representa. Em novembro, estava em 45,4 pontos. O desempenho aquém do desejável em dezembro reforça a percepção da maioria dos analistas: 2015 será pior do que o esperado — não somente para a indústria, mas para a economia como um todo.

“A indústria brasileira vem apresentando fragilidades desde 2013. Os dados de novembro da Pesquisa Mensal de Emprego (PME/IBGE) já mostravam um recuo de 0,7%. Essa tendência vai continuar porque o programa do governo para conter a inflação é segurar a demanda, com política fiscal e monetária contracionistas”, afirmou o economista da Gradual Investimentos André Perfeito. “E, como no quadro atual de crise internacional não teremos para quem exportar, a atividade será pior do que o esperado. Ela já está fraca e o governo está adotando medidas que vão diminuí-la ainda mais”, acrescentou.

Em janeiro, após as primeiras medidas de ajuste adotadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Perfeito revisou suas estimativas para a produção industrial de expansão de 2,5% para 0,5%. Para o Produto Interno Bruto (PIB) como um todo, ele também refez a estimativa, de 0,8% de expansão para uma retração de 0,3%.

Diante dos indicadores de atividade abaixo do esperado, a Tendências também refez seus cálculos. “2015 será um ano mais difícil do que se esperava. Revimos a nossa projeção para a produção industrial de uma expansão de 0,8% para uma contração de 2,6%. Quanto ao PIB, acreditávamos em um crescimento de 0,6% e agora prevemos uma queda de 0,5%”, afirmou o economista da consultoria Rafael Bacciotti, segundo o qual, além do aperto das políticas fiscal e monetária, pesam contra a atividade econômica os efeitos da Operação Lava Jato sobre a confiança dos empresários, afastando potenciais investimentos.

Um novo indicador divulgado pela CNI ontem, o de intenção de investimento, também apresentou recuo, confirmando a percepção do analista. Em janeiro, ele ficou em 52 pontos, 0,4 ponto abaixo do registrado em dezembro e 9,5 pontos menor do que em janeiro de 2014. O índice varia de 0 a 100: quanto maior, mais a propensão a investir dos empresários.

O índice da Sondagem da CNI que mede o número de empregados ficou em 44,2 pontos em dezembro, mais de dois pontos abaixo do registrado em novembro e também o pior da série histórica. Somente o indicador de evolução de estoques efetivos em relação ao planejado ficou acima dos 50 pontos, em 50,5 pontos.

Já a utilização média da capacidade instalada ficou em 68% em dezembro, o menor percentual para o mês desde 2011. Além disso, as condições financeiras das empresas pioraram no quarto trimestre. O índice de satisfação com o lucro operacional ficou em 40,6 pontos; o de satisfação com a situação financeira alcançou 46 pontos; e o de facilidade de acesso a crédito foi de 36,8 pontos.

De acordo com a pesquisa, a elevada carga tributária, com 59,7% das assinalações, continua sendo o principal problema enfrentado pelas empresas no quarto trimestre do ano passado. Em seguida, com 38,5% das menções, vem a falta de demanda e, em terceiro lugar, a competição acirrada de mercado. Também ganharam importância entre as dificuldades apontadas pelos empresários o alto custo das matérias-primas e os juros.

“O quarto trimestre mostra uma tendência de queda muito maior, apontando deterioração da atividade industrial e das expectativas. Certamente, teremos um 2015 difícil, principalmente, no primeiro semestre”, afirmou o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

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