PT fluminense volta ao governo de Pezão e ganhará duas secretarias

Presidente regional do partido, Washington Quaquá, articula ida de Benedita da Silva e Rosângela Zeidan para Assistência Social e Cultura

Por O Dia

Rio - Afastados há mais um ano, o PT e o PMDB do Rio de Janeiro estão reatando a aliança desfeita em 2014, meses antes do lançamento da candidatura de Lindbergh Farias (PT) ao governo do estado. Nos próximos dias, o presidente regional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, anunciará que os partidos fizeram as pazes. Os desdobramentos da conversa, que vem ocorrendo nos bastidores entre Quaquá e o presidente do PMDB-RJ, deputado Jorge Picciani, caminham para que o PT ocupe duas secretarias no governo de Luiz Fernando Pezão.

A deputada estadual Rosângela Zeidan (PT), que é mulher de Quaquá, deve assumir a Secretaria de Assistência Social, enquanto a deputada federal Benedita da Silva (PT) ficará com a Cultura. Quaquá não comenta o assunto publicamente, já que o novo embarque no governo peemedebista só deve ocorrer em junho, sob o pretexto de aguardar o avanço das investigações da operação Lava Jato e o congresso nacional do PT. O prefeito de Maricá quer aproveitar o evento para recompor as bases e determinar os motivos da volta a um governo fluminense do PMDB.

Entre os argumentos que Quaquá apresentará a petistas contrários à sua proposta está o esforço pela aliança nacional entre os dois partidos para a manutenção da governabilidade da presidenta Dilma Rousseff. E o papel do Estado do Rio, nesse sentido, está em rechaçar de uma vez por todas os fantasmas da chapa “Aezão” (Aécio e Pezão, na eleição passada). O acordo que vem sendo costurado inclui o apoio do PT à candidatura do deputado federal Pedro Paulo (PMDB-RJ) à Prefeitura do Rio. Secretário da coordenação de governo do prefeito Eduardo Paes (PMDB), Pedro Paulo esteve presente nas últimas visitas de Dilma ao Rio e sempre recebe elogios públicos vindos da presidenta. O PT, por sua vez, teria o apoio do PMDB para 2016 em Maricá.

Na composição do governo do estado, a escolha de Rosângela para uma das secretarias de Pezão abrirá a vaga para o suplente Gilberto Palmares na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Atualmente, Palmares é secretário de Administração de Maricá e aliado de Quaquá.

Já a volta de Benedita ao Rio de Janeiro, depois de quatro mandatos em Brasília, abre a vaga na Câmara para Wadih Damous. A avaliação petista é que a parlamentar é um nome seguro para participar do governo. Ela já foi secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do ex-governador Sergio Cabral (PMDB), um dos principais caciques do PMDB no estado, e rechaça as críticas dos chamados petistas sectaristas a Pezão.

A escolha de Benedita também vai além das afinidades políticas dela com Quaquá. O prefeito eliminou os demais nomes da bancada petista fluminense na Câmara por questões estratégicas: o deputado Luiz Sérgio é um dos relatores da CPI da Petrobras; Alessandro Molon é um nome com projeção nacional e que caminha sozinho; Chico D’Angelo possivelmente será indicado para suceder o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves; e Fabiano Horta é o possível sucessor de Quaquá na Prefeitura de Maricá. Há, por outro lado, uma certa expectativa com o mandato de Wadih Damous, que deve assumir no lugar de Benedita. O advogado, que obteve 37.814 votos na eleição, é conselheiro federal e ex-presidente da OAB-RJ. O PT vê a OAB como um espaço político e este ano a instituição escolherá seu novo presidente.

No plano nacional, uma das preocupações de Quaquá é a ameaça do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de romper a aliança antes da hora para lançar o prefeito Eduardo Paes à Presidência da República em 2018. O outro entrave é com o líder peemedebista na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), que vem se fortalecendo e que reitera o discurso de quebra da aliança o quanto antes. A intenção do PT, já exposta publicamente, é lançar o ex-presidente Lula para 2018. Os encontros que o prefeito de Maricá reivindica ao presidente nacional do PT, Rui Falcão, e a Lula são no sentido de ganhar mais poder no estado a partir do fortalecimento da relação com o PMDB, além de neutralizar as ações de Cunha.

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