Filme 'Planeta dos Macacos' critica a dificuldade de convivência entre espécies

Longa aborda ainda a tendência humana à violência

Por O Dia

Rio - Como ocorre com algumas das melhores obras de ficção científica, ‘Planeta dos Macacos: o Confronto’ posiciona sua trama num momento desolador do futuro para, por meio de especulações, teorias e conflitos, investigar problemas reais que enfrentamos hoje. No caso específico do filme, o combate entre humanos e símios serve de metáfora para a abordagem de temas como intolerância e incapacidade de coexistência pacífica entre indivíduos muito diferentes.

É impressionante o realismo dos macacos como Caesar%2C o líder%2C vivido pela segunda vez por Andy Serkis Divulgação


Dirigida por Matt Reeves (‘Deixe-me Entrar’) a produção — uma continuação direta de ‘Planeta dos Macacos: a Ascensão’, de 2011 — também aponta sua força crítica para a tendência humana de resolver diferenças por meio de conflitos e guerras — instinto belicista que quase sempre provoca a perda de vidas inocentes, como todos têm visto nas últimas semanas nos embates entre judeus e palestinos, na Faixa de Gaza. Como dito no início, as melhores ficções científicas se valem de tramas futuristas para tratar de situações atuais.

O roteiro mostra que, após os eventos apresentados no filme anterior, os macacos, cujas inteligências foram desenvolvidas por meio de uma droga experimental, conseguiram se organizar e formar uma sociedade nas florestas próximas a São Francisco, onde vivem de maneira relativamente pacífica. Já os humanos foram quase que totalmente exterminados por conta de uma gripe símia. Os poucos que sobreviveram agora habitam comunidades isoladas. A necessidade de sobrevivência de uma dessas células de resistência vai fazer com que os caminhos das duas espécies se cruzem. E apesar dos esforços das lideranças de ambos os lados, o desfecho não será pacífico.

Sobre o aspecto técnico, a tecnologia de captação de movimentos evoluiu a tal ponto que fica difícil não se impressionar com a presença dos macacos na tela, tamanho seu realismo. E, novamente, Andy Serkis amplia os limites da interpretação ao viver, pela segunda vez, Caesar, o líder dos macacos.

Ainda que, em um ou outro ponto, escorregue num certo didatismo, ‘Planeta dos Macacos: o Confronto’ é sombrio, urgente e nos faz refletir sobre a importância diária da coexistência.

Últimas de Diversão