Por tabata.uchoa
Paulo Gustavo volta a viver Dona Hermínia%2C protagonista de 'Minha Mãe É Uma Peça 2'Paprica Fotografia

Rio - Ela está de volta. Mais sensível, madura, mas ainda uma ‘peça rara’. Em ‘Minha Mãe É Uma Peça 2’, que estreia hoje, Dona Hermínia segue afiada, repaginada, rica e dona do seu próprio programa de TV. Além disso, ela ainda lida com os problemas da família, mas está diferente.

“Sabíamos que não era só uma comédia, que havia algo mais profundo ali na situação da personagem. Tinham tintas fortes de humor, mas o desenho, às vezes, era triste: era a imagem de uma mulher sozinha. Nesse segundo filme, isso está mais claro. Está mais amadurecido. Até porque passou o tempo, a personagem, seus filhos, o Paulo (Gustavo), eu, nossas mães, todos acumulamos mais bagagem.

O filme é sobre a vida que não para de ir pra frente”, conta o roteirista Fil Braz, que afirma que o longa foi um divisor de águas. “A identificação que provocamos num público de mais de quatro milhões e meio de espectadores trouxe respeito e interesse pelo trabalho da gente”. 

Fil é amigo de longa data de Paulo Gustavo: “Foi uma parceria de vida que migrou para a arte. Somos amigos de Niterói desde os 15 anos. Fui fazer Letras e ele, Teatro. Quando se formou, insistiu para que criássemos algo juntos. Pura intuição dele. E eu acreditei. Pura intuição minha”.
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Na nova trama, Dona Hermínia, vivida por Paulo Gustavo, continua irreverente e às voltas com questões familiares: Marcelina (Mariana Xavier) decide ser atriz, e Juliano (Rodrigo Pandolfo) se descobre bissexual. Para completar, a irmã Lucia Helena, interpretada por Patrycia Travassos, que mora há anos em Nova York, resolve fazer uma longa visita.
Paulo admite que a própria mãe continua sendo a maior inspiração, mas não a única: as tias, mulheres da família, mães dos amigos, mulheres que encontra nas ruas, tudo é fonte para esse observador. “Claro que tudo partiu da minha mãe, e ainda é assim. Mas além de gostar de observar as pessoas, fiquei em cartaz muitos anos com a peça. As pessoas vêm contar suas experiências. Acaba que a própria vida também alimenta a gente”, esclarece.
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A MÃE-INSPIRAÇÃO
O ator conta que o enredo da sequência cinematográfica é todo ficção, mas que a energia da mãe, Dona Déa, está presente em tudo, desde os trejeitos da Dona Hermínia até o tom da voz.
“Além disso, tem coisas que acho que ela faria, que me inspirei em algum momento da nossa vida. Mas nesse segundo filme, não tem nenhuma cena inpirada literalmente. No primeiro até teve. Aquela cena, que ela vai à boate atrás da Marcelina. Minha mãe já foi na boate atrás de mim e da minha irmã de camisola e bobs de cabelo”, diverte-se.
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O humor na família, pelo visto, é hereditário. Segundo Paulo Gustavo, a matriarca é espirituosa, espontânea e divertida, e ele cresceu nesse ambiente. “Ela tem muito orgulho do projeto ‘Minha Mãe É Uma Peça’. No teatro, fiquei 11 anos, e ela ia sempre, levava as amigas. Ama a homenagem que fiz para ela com esse personagem. Participa, opina bastante”, revela. E a Dona Déa, gostou do segundo filme? “Gostou mais do segundo. Acha mais solar, humano, sensível e engraçado”.
No longa, a mãe mais famosa do Brasil continua fazendo suas peripécias envolvida com a família, mas também precisa enfrentar uma questão pessoal: a chamada síndrome do ninho vazio, quando os filhos saem de casa.
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Paulo compara as mães da ficção com a da vida real. “Minha mãe deu mais sorte. Sempre me revezei em casa com a minha irmã, e ela nunca ficou sozinha. Hoje, continuo morando no Rio, casei, mas somos muito próximos. Ela está sempre lá em casa. Moramos perto, diferentemente do Juliano e da Marcelina, que vão para São Paulo. Somos muito grudados e nossa família é unida. Ela quer ver os filhos felizes. Claro que sente saudade, hoje tem mais porta-retratos pela casa, mas ela tira de letra”, diz. 
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