'Dona Flor e Seus Dois Maridos' ganha nova versão no cinema

No longa, Juliana Paes contracena com Marcelo Faria, o Vadinho, e Leandro Hassum, o Teodoro. Atriz comenta cenas ousadas

Por O Dia

Rio - A clássica obra de Jorge Amado que fala de amor, saudade, desejo, e há 40 anos já dava ênfase à sexualidade feminina. ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ ganha nova versão cinematográfica e entra em circuito nacional a partir de amanhã. A obra estrelada por Juliana Paes, a Flor do título, protagonista do filme ao lado de Marcelo Faria e Leandro Hassum, tem direção e roteiro de Pedro Vasconcelos, e pretende levar uma leitura diferente do filme de 1976, eternizado por Sonia Braga, aos cinemas.

“É completamente diferente do anterior. Não vejo esse filme há muitos anos, desde que comecei a trabalhar com a montagem de ‘Dona Flor’ no teatro. Não queria criar uma referência, senão não teria liberdade para trabalhar esse novo filme”, revela Pedro. “É uma história maravilhosa! Ficamos sete anos em cartaz com a peça e pudemos sentir no teatro que as pessoas queriam ver mais disso. Principalmente as novas gerações, que não viram o filme e para as antigas que gostariam de recordar”.

O DILEMA DE FLOR

O longa conta a história de amor de Florípedes Paiva, a Dona Flor, uma encantadora professora de culinária casada com Vadinho (Marcelo Faria), um boêmio farrista, que por conta dos abusos, acaba morrendo. Viúva, ela se casa com o tranquilo farmacêutico Dr. Teodoro (Leandro Hassum). Mas a saudade do antigo marido, que era um ótimo amante, faz com que ele retorne em forma de espírito que só ela consegue ver. Flor vive o dilema de achar que deve escolher entre o amor carnal e o amor que lhe dá segurança e paz.

Juliana Paes%2C Marcelo Faria e Leandro Hassum protagonizam nova versão de Dona Flor e Seus Dois MaridosDivulgação

Marcelo Faria, que viveu Vadinho na versão teatral e interpreta o personagem no cinema, conta como é a experiência de, literalmente, se desnudar em cena, já que passa mais da metade do fi lme sem roupa. “No palco, apesar de sentir tranquilidade, ficava nu para a plateia. Era ainda mais complicado. Nas filmagens, quem me via nu era a minha equipe, e isso acabou se tornando normal”, diferencia. “E também a câmera fez planos que protegem a nudez, então eu ficava tranquilo”, conta.

JULIANA DE AMADO

Encarnando a protagonista nas telonas em 2017, Juliana Paes, que recentemente
fez sucesso estrondoso com sua Bibi Perigosa, em ‘A Força do Querer’, revela que a direção deu total liberdade para sua versão de Flor. “Logo na primeira conversa que eu tive com o Pedro (Vasconcelos), perguntei se devia assistir a tudo, e ele pediu que eu apenas relesse o livro. O nosso filme tem o livro como grande base”, conta. “Fiquei muito livre para fazer a minha Dona Flor. Claro que interpretar personagens assim tão míticas sempre é uma grande responsabilidade, mas foi muito gostoso trazer o meu entendimento”.

Perguntada sobre as diferenças da sua composição, a atriz é elegante na resposta. “Difícil dizer. Acho que cada intérprete carrega um pouco do seu próprio tempo, das suas experiências. E talvez eu, sendo uma discípula do meu tempo, tenha tentado fazer a Flor de uma maneira muito simples, muito orgânica, muito natural, sem carregar nas tintas”, observa.

No papel que já foi de Sonia Braga no cinema e de Giulia Gam na TV, Juliana vive sua segunda personagem de Amado, já que foi Gabriela na novela homônima em 2012. “Gabriela foi uma experiência maravilhosa e claro que você já fica um pouco mais situada no universo de Jorge Amado. Tive a chance de estudar bastante a obra dele e já estava um pouco mais ambientada”, diz sobre o papel também vivido por Sonia Braga na TV. No entanto, a intérprete da Flor atual garante que as duas personagens de Amado são bem diferentes uma da outra.

Juliana Paes%2C Marcelo Faria e Leandro Hassum protagonizam nova versão de Dona Flor e Seus Dois MaridosDivulgação

“Flor é uma mulher, apesar de consciente dos seus desejos, vivendo na sociedade castradora da época. Era complicado para uma mulher viúva casar-se novamente, ser dona das próprias vontades. E nesse campo ninguém melhor para falar sobre a alma feminina do que Jorge Amado. Ele entendia e tratou muito bem disso em suas obras. Em Gabriela, era a alma selvagem e sertaneja, a mulher sem pudores, sem a polidez de uma vida em contato com a sociedade. Já Flor é uma mulher, talvez tão libidinosa quanto, mas sem consciência disso. Ela só toma consciência disso depois do despertar que Vadinho promove na libido dela”, esclarece.

A atriz também comenta as cenas ousadas. “Todas as cenas de mais intimidade são mais complicadas, mas em termos de dificuldade, dramaturgicamente falando,
fazer as que Vadinho falava comigo em um lugar e aparecia rapidamente em outro, foram bem delicadas. Tínhamos que ter muitos cortes e era necessário manter a continuidade de emoção. Foi bem complicado, mas muito divertido ao mesmo tempo”, lembra.

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