Irene Ravache diz que não acredita em reencarnação

Intérprete da vilã condessa Vitória em 'Além do Tempo': 'Se fui má, não sei'

Por O Dia

Rio - O sucesso que ‘Além do Tempo’ está fazendo com o público (com média de 25 pontos no ibope) passa também pelas mãos da malvada condessa Vitória (Irene Ravache). Dura e cruel, Vitória costuma atropelar seus inimigos sem piedade, como fez com Emília (Ana Beatriz Nogueira) ao ser contra o romance dela com seu filho Bernardo (Felipe Camargo). Com a voz serena, Irene surpreende ao dizer que todas as pessoas podem se mostrar como sua personagem. “Eu acho que nós temos tudo dentro de nós, o lado sombrio e o luminoso. Se a gente desenvolve o lado sombrio ou porque quer ou por uma patologia, a gente pode, sim, ser como a Vitória”, alega. A atriz só não arrisca uma opinião sobre suas vidas passadas: “Eu não acredito em nada, então, também não acredito em reencarnação. Mas gosto da hipótese de ter vivido outras vidas. Mas se fui má, não sei.”

Irene Ravache acredita que qualquer pessoa pode ser má como VitóriaDivulgação

A vilã tem deixado Irene satisfeita. Ela admite que queria fugir um pouco das personagens mais amáveis e delicadas. “É um exercício, né?”, indaga. A começar pelas suas horas de espera para que sua roupa e seu cabelo sejam preparados. “Tem cabelo, peruca, chapéu, muita roupa. E, naquela época, as mulheres ainda usavam uma bundinha”, diverte-se.

Irene não dá dicas sobre sua próxima personagem na trama, que vai mudar com a passagem de tempo. “Nem eu quis saber, guardei tudo na gaveta”, despista. A única certeza que tem sobre a novela é que o filho de Vitória não está morto: “A única coisa positiva dela é a força, mas que nunca é canalizada para uma coisa boa. Ele tem essa obstinação de achar o filho.”

As experiências na pele de Vitória deram também um discurso social diferente para a atriz. Ao gravar algumas cenas no Sul do país, como Gramado e Bento Gonçalves, Irene pôde avaliar a calmaria dessas cidades: “É um outro Brasil possível. É um pedaço do país que não tem essa violência gargalhando à medida que você caminha das ruas. Uma vez, ouvi uma declaração do José Beltrame (secretário de Segurança Pública do Rio) e eu acho ele um homem sério. Ele dizia que teve diminuição da criminalidade, mas que as pessoas ainda tinham a sensação da violência. Eu pensei: ‘Senhor, não temos sensação, nós estamos vendo, ela está aí, a mídia não inventou que alguém foi esfaqueado’.”

Outra observação que a atriz fez e que pretende resgatar no seu dia a dia, é a aproximação com as pessoas: “Nessas cidades ainda existe mais espaço para a cortesia, mais tempo para andar pelas ruas, mais conversas com os vizinhos. As pessoas olham as outras e conseguem perceber quando não estão bem. Hoje, a gente só fica no celular, perdemos o gosto e o tempo de olharmos para as pessoas. E isso vai abrindo espaço para a brutalidade.”

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