Atletas e dirigentes enfrentam a política discriminatória de Donald Trump

Seis atletas do New England Patriots, campeões da NFL, já manifestaram que não vão à Casa Branca para o tradicional encontro com o presidente

Por O Dia

Washington - A terceira lei proposta pelo físico e matemático inglês Isaac Newton (1643 - 1727) diz que toda ação causa uma reação de força e sentidos iguais. A política xenofóbica do presidente americano Donald Trump, que por meio de decretos proibiu a entrada de imigrantes de sete países de maioria muçulmana (Iraque, Iêmen, Irã, Síria, Líbia, Somália e Sudão) e ainda autorizou a construção de um muro na fronteira com o México, começa a sofrer com as reações. Tanto do Poder Judiciário, que vetou sua proibição migratória, quanto de astros do mundo do esporte.

Blount%2C dos Patriots%2C recusou visita a TrumpEfe

Seis atletas do New England Patriots, campeões da NFL, a liga de futebol americano, já disseram publicamente que não vão à Casa Branca para o tradicional encontro com o presidente. Martellus Bennett e Devin McCourty haviam manifestado a recusa horas depois da conquista do título, no domingo passado, em Houston. 

Ontem, no desfile dos jogadores pelas ruas de Boston, Dont’a Hightower, Alan Branch, LeGarrette Blount e Chris Long — este último o único branco do grupo — também revelaram que não vão apertar a mão de Trump. 

O boicote cria uma saia justa, já que o astro do time, o quarterback Tom Brady, e o dono da franquia, Robert Kraft, são amigos de longa data do presidente.

Na contramão da filosofia de Trump, a liga profissional norte-americana de hóquei no gelo (NHL) promoveu um encontro histórico na noite de quinta-feira. Fatima Al Ali, jogadora da seleção feminina dos Emirados Árabes Unidos, chamou a atenção no fim do ano passado por causa de suas habilidades, demonstradas em vídeos na internet. A diretoria do Washington Capitals a levou até os EUA para participar de um treino e para dar início ao jogo contra o Detroit Red Wings. Com o hijab, tradicional véu muçulmano, Fatima entrou na pista para lançar o disco e foi ovacionada pela torcida.

Fatima Al Ali em jogo da NHLEfe

“O hóquei é feito para todos, a NHL dá a oportunidade de pessoas de todo o mundo praticarem o esporte. Sua visita aos Estados Unidos é um exemplo de que as coisas são tão simples quanto um jogo, transcendendo as fronteiras políticas e geográficas, unindo todos em um só mundo”, anunciou o locutor do Verizon Center, localizado a poucos quilômetros da Casa Branca, a residência oficial do presidente americano.

DETENÇÃO EM AEROPORTO

Ibtihaj Muhammad, primeira muçulmana a ganhar uma medalha para os EUA em Olimpíadas — foi bronze nos Jogos Rio-2016 na prova de sabre por equipes —, afirmou ontem em entrevista a um site de entretenimento que ficou detida por duas horas em um aeroporto americano quando voltava de uma viagem. 

“Foram duas horas tensas. Sou muçulmana, tenho nome árabe e, mesmo que represente os EUA e seja medalhista olímpica, isso não muda a forma como as pessoas te olham”, disse a atleta.

Medalhista olímpica americana%2C Ibtihaj Muhammad foi detida em aeroportoEfe


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