CEO da Telecom Italia ostenta independência da Telefónica no Brasil

Empresa espanhola busca um modo de cumprir as decisões antitruste tomadas em dezembro que questionaram seu papel como maior acionista da empresa italiana

Por O Dia

A Telecom Italia SpA é independente da sua acionista espanhola Telefónica SA, disse o CEO Marco Patuano em visita ao Brasil, onde reguladores antitruste esquadrinharam a relação entre as duas maiores empresas de telefonia celular do País.

“Para a Telecom Italia, acho que a questão é ter uma estratégia independente de quaisquer acionistas”, disse Patuano aos jornalistas ontem em Brasília. “Esse é o nosso principal interesse e até agora sempre tem sido o caso na relação entre a Telecom Italia e a Telefónica”.

A Telefónica, a operadora com sede em Madri que é a maior provedora de telefonia celular do Brasil, está buscando um modo de cumprir as decisões antitruste tomadas em dezembro que questionaram seu papel como maior acionista da Telecom Italia. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) disse que a Telefónica teria que reduzir sua participação na empresa com sede em Milão e, um dia depois, disse que a operadora espanhola deveria abandonar por completo a Telecom Italia se quisesse manter o controle da sua própria unidade no Brasil, a Vivo. As duas decisões derivaram de casos diferentes que envolvem a Telefónica.

O Cade estabeleceu o mês de maio como prazo para cumprir a decisão, que está sendo contestada pela Telefónica nos tribunais brasileiros. Neste mês, a Telefónica vendeu 750 milhões de euros (US$ 1 bilhão) em títulos que podem ser convertidos em ações da Telecom Italia, o que reduziria sua participação na empresa de Patuano.

A medida da Telefónica parecia ter sido projetada para atender aos requerimentos do Cade, disse ontem Paulo Bernardo, ministro das Comunicações do Brasil. A assessoria de imprensa do Cade confirmou ontem que a Telefónica notificou a agência da venda de títulos nesta semana. O Cade está estudando as informações, que foram fornecidas sob o acordo fechado em 2010, que criou Telco SpA, o grupo de acionistas da Telecom Italia, disse a agência.

Tentativa de compliance

“Tenho acompanhado essa questão nos jornais”, disse Bernardo. “Acho que o Cade poderia responder a isso da melhor forma, mas é claro que eles estão tentando acatar a decisão. Mas não tenho informação nenhuma”.

Embora a Telefónica tivesse pressionado a Telecom Italia para que venda sua unidade brasileira, a Tim Participações SA, Patuano prefere mantê-la e expandi-la por meio de uma eventual fusão com a divisão GVT, da Vivendi SA, disseram fontes do setor em maio, que solicitaram o anonimato porque as deliberações são confidenciais.

A Telefónica e a Oi SA – a quarta maior operadora de telefonia celular do País – ponderaram um plano neste ano para fragmentar a Tim, disseram as fontes.

É difícil para a Tim evitar especulações em relação a uma fusão com a GVT porque os serviços oferecidos pelas duas empresas são complementares, disse Patuano ontem. Tal acordo não está no foco da companhia neste momento, embora a possibilidade permaneça aberta, disse ele. A Tim tem um valor de mercado de R$ 29,6 bilhões (US$ 13,3 bilhões).

‘Fato óbvio’

“Acredito que somos uma empresa com grande sucesso na telefonia celular, e eles são uma companhia com um grande nível de qualidade em linhas fixas, portanto o fato de termos essas sinergias é óbvio”, disse Patuano.

Ontem, Patuano visitou a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, prometendo investir mais na infraestrutura de telecomunicações do País, especialmente no acesso à internet de banda larga para dispositivos móveis. Ele disse que a Tim está encaminhada para investir de R$ 4 bilhões a R$ 4,5 bilhões no Brasil neste ano. Participar do leilão de frequências que o governo realizará no próximo mês, e conquistar o espectro de telefonia celular 4G, aumentará esses planos de investimento entre 10 por cento e 15 por cento, disse ele.

“A Tim quer ser transparente, inovadora e investir em infraestrutura”, disse Patuano.

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