Eleições e Copa devem pautar desempenho dos mercados

Feriado devido ao início do Mundial na quinta-feira pode diminuir o volume de negócios durante a semana

Por O Dia

São Paulo - A bolsa subiu e o dólar caiu na sexta-feira após a pesquisa eleitoral elaborada pelo Datafolha mostrar queda no percentual de intenção de votos para a presidenta Dilma Rousseff. Puxado pelas estatais, o Ibovespa disparou 3,04%, para os 53,128 pontos. O dólar protagonizou a segunda queda consecutiva, cotado a R$ 2,25.

De acordo com analistas, o cenário pode se repetir caso a próxima pesquisa do Ibope confirme a perda nas intenções de voto à reeleição de Dilma. Por outro lado, por conta do feriado na quinta-feira, dia da abertura da Copa do Mundo, a BM&FBovespa não vai operar e a expectativa é que o volume de negócios da semana diminua.

Após alta superior a 3% na sexta-feira, Ibovespa mostra recuperação da tendência de baixa no curto prazoMarcos Issa/Bloomberg

“Fica difícil apontar uma condução para o Ibovespa, pois a perspectiva é de baixa liquidez nas próximas sessões”, afirmou o analista técnico da Clear Corretora Raphael Figueiredo, para quem o índice mostrou recuperação da tendência de baixa de curto prazo nesta sexta-feira. “Foi o melhor desempenho desde 27 de março, quando o Ibovespa avançou 3,5% também pautado por uma pesquisa eleitoral. Isso reforça a comprovação de que o mercado aposta em uma troca de governo”, disse. No mês, o principal índice da Bovespa acumula ganhos de 3,69%. No ano, o desempenho está positivo em 3,15%.

De acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Ibope deve divulgar nova pesquisa na terça-feira. Na agenda de indicadores estão previstos dados importantes da China relativos a  maio, como comércio exterior, inflação, crédito e investimento e devem dar o tom dos negócios. Tais dados causam impactos sobre empresas produras de commodities, como a Vale, que tem o gigante asiático como principal cliente.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, destaca as divulgações referentes ao mês de abril das vendas do comércio, na quinta-feira, e do IBC-BR, prévia do Produto Interno Bruto (PIB) produzida pelo Banco Central, na sexta-feira. “Os dados devem vir fracos e o IBC-BR de abril pode ser até negativo como reflexo do fraco desempenho da indústria”, afirmou.

Dólar

No mercado de câmbio, o dólar terminou a semana cotado a R$ 2,25 para a venda, após queda de 0,50% na sexta-feira. O gerente de câmbio da Correparti, João Paulo Gracia, explica que a baixa aconteceu por conta da pesquisa eleitoral Datafolha, uma vez que o recuo na aprovação do governo aumenta o apetite ao risco e os investidores, principalmente estrangeiros, preferem apostar em ações de empresas. Os dados positivos do mercado de trabalho americano também contribuíram para o movimento.

Apesar de duas quedas seguidos, a moeda americana subiu 0,39% na semana. No ano, o dólar acumula desvalorização de 4,58%. Para Gracia, a tendência para as próximas sessões é de mais valorização do real depois da divulgação da Ata do Copom nesta semana. “O governo não vai permitir uma alta da moeda americana e induz a perspectiva por uma cotação entre R$ 2,20 e R$ 2,25”, afirmou Gracia.

No final da tarde de sexta-feita, o Banco Central considerou a demanda dos agentes econômicos e divulgou que vai estender o programa de leilões de “swap” e venda de dólares , a partir de 1º de julho, "com o objetivo de continuar provendo 'hedge' cambial e liquidez ao mercado de câmbio". 

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