Ibovespa despenca 3,4% com mudança no quadro eleitoral

Dilma abre quatro pontos de vantagem sobre Aécio e as apostas pela mudança de governo perdem força. Ação da Petrobras cai quase 7%

Por O Dia

Na contramão das bolas externas, o movimento vendedor tomou conta do mercado acionário brasileiro nesta terça-feira como reflexo da vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre Aécio Neves (PSDB) na corrida eleitoral, o que frustra a expectativa dos investidores por uma troca de governo. Pela primeira vez no segundo turno, a petista aparece à frente na disputa, conforme mostrou Datafolha e Vox Populi. O placar de 52% a 48% aponta empate técnico no limite da margem de erro.

“É cedo para fazer conclusões, mas os dados têm sido mais favoráveis à Dilma. Ressaltamos que a rejeição de Aécio já ultrapassa numericamente a da petista - 40% contra 39%, mostrando que a estratégia da campanha da candidata à reeleição tem sido bem sucedida”, apontou a Guide Investimentos, em nota.

Pressionado principalmente pelas estatais, o Ibovespa chegou a cair mais de 4% na mínima do dia e fechou com perdas de 3,44%, aos 52.432 pontos – o nível mais baixo desde 5 junho. Com a queda, o principal índice da Bovespa passou a acumular perdas de 3,11% em outubro. No ano, os ganhos diminuíram para 1,80%. “O índice perdeu o suporte dos 52.700 pontos e, em tendência negativa, pode cair até os 51.200 pontos em meio ao clima de cautela imposto pelos investidores”, pontuou o diretor da Escola de Investimentos, Leandro&Stormer.

À frente das perdas, BM&FBovespa recuou 8,23% e, na ponta positiva, Fibria ON subiu 2,99%. Entre as estatais, Banco do Brasil ON perdeu 6,77%, Eletrobrás ON recuou 7,09% e Petrobras PN teve queda de 6,92%. A Agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da dívida da estatal em moeda estrangeira de “Baa1” para “Baa2” e apontou que o nível de endividamento da companhia só deve começar a cair em 2016.

Na agenda, o IPCA-15, a prévia da inflação de outubro, avançou para 0,48% e acumula alta de 6,62% nos últimos 12 meses – taxa que supera o teto ma meta de inflação, de 6,5%.

Entre os indicadores externos, destaque para o Produto Interno Bruto (PIB) da China, que avançou 7,3% no terceiro trimestre. Embora tenha sido o resultado mais baixo desde 2009, o número ficou acima da previsão média do mercado, que apontava crescimento de 7,2%. A meta do governo chinês é alcançar expansão de 7,5% em 2014.

“No acumulado do ano, o PIB cresceu 7,4% em relação ao mesmo período de 2013. As dificuldades enfrentadas principalmente no setor imobiliário podem tornar mais complicado o cumprimento da meta, o que não ocorre desde 1998. Sendo assim, são boas as chances de o governo continuar com medidas de estimulo voltadas para este setor e para garantir a oferta de crédito”, avaliou a LCA Consultores, em nota. A ação preferencial da Vale, que tem o gigante asiático como maior cliente, subiu 0,83%.

Nos Estados Unidos, as bolsas encerraram no azul, impulsionadas pela expectativa de mais estímulos econômicos na Europa e pelos balanços corporativos. Entre os indicadores, a venda de moradias usadas cresceram 2,4% em setembro, acima da projeção dos analistas. O Dow Jones subiu 1,18%, o S&P avançou 1,93% e o Nasdaq teve alta de 2,33%.

No mercado de câmbio o dólar subiu 0,52%, cotado a R$ 2,477 na venda.

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