Ibovespa sobe 1,1% impulsionado por discurso de Janet Yellen

Presidente do Federal Reserve sinalizou manutenção da taxa de juros nos próximos meses. Dólar cai, cotado a R$ 2,83

Por O Dia

O principal índice da Bovespa fechou em alta nesta terça-feira, chegando a flertar com os 52 mil pontos, após declarações moderadas da chair do Federal Reserve, Janet Yellen, em relação à política monetária dos Estados Unidos.

O Ibovespa subiu 1,16%, aos 51.874 pontos. Na máxima, chegou a 51.956 pontos, em alta de 1,32% por cento. O volume financeiro da sessão somou R$ 5,94 bilhões, novamente abaixo da média do mês.

Petrobras guiou o avanço por praticamente toda a sessão, apesar do enfraquecimento do petróleo. As ações preferenciais da estatal fecharam em alta de 3,90%.

Ao Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos, Janet Yellen disse que o banco central norte-americano está se preparando para considerar uma alta na taxa de juros "de reunião para reunião", e que primeiro vai retirar a palavra "paciente" de seu comunicado.

De acordo com o gerente de renda variável da Fator Corretora, Frederico Ferreira Lukaisus, os comentários da titular do Fed postergou em pelo menos dois encontros o risco de aumento dos juros, dando uma "sobrevida" ao mercado de ações.

Em Wall Street, o S&P 500 também avançava.A cena corporativa local teve uma sessão aquecida e corroborou o viés ascendente.

Itaú Unibanco encerrou em alta de 1,05%, um dia após indicar executivos que vão liderar as unidades de varejo e atacado e dar um passo em direção à sucessão do presidente-executivo, Roberto Setubal.

O setor de educação seguiu entre os maiores ganhos do Ibovespa, ainda reagindo à decisão do Ministério de Educação de limitar para 2015 as alterações nas regras do programada de financiamento Fies. O Bradesco BBI ainda elevou a recomendação para as ações da Kroton para "outperform".

Usiminas chegou liderar a alta do índice, mas desacelerou e fechou com elevação de apenas 0,52%, com o adiamento de julgamento em Minas Gerais sobre a volta de três executivos que saíram da siderúrgica em setembro.

A Marcopolo valorizou-se 4,53%, após o conselho da fabricante de carrocerias de ônibus aprovar pagamento de 30,16 milhões de reais em dividendos e recompra de até 20 milhões de ações, apesar da queda do lucro no quarto trimestre.

As empresas de papel e celulose Suzano e Fibria foram destaque na ponta negativa, com queda de 5,28% e de 4%, respectivamente. Analistas atribuíram o movimento a dados sobre o estoque de celulose em janeiro divulgados pelo PPPC (Conselho de Produtos de Papel e Celulose), grupo que compila dados globais sobre o setor.

Dólar

O dólar fechou em queda de mais de 1,59%, cotado a R$ 2,833 na venda após a chair do Federal Reserve, Janet Yellen, trazer alívio aos investidores que temiam uma sinalização mais contundente sobre o momento em que os juros começarão a subir nos Estados Unidos.

O mercado também comemorou a notícia de que a Grécia apresentou a seus credores uma lista de reformas necessárias a um acordo para a extensão do pacote de ajuda financeira ao país.

"Estamos vendo um padrão: toda vez que o mercado se prepara para uma alta dos juros iminente, a comunicação do Fed minimiza essas expectativas", disse o operador de câmbio da corretora B&T, Marcos Trabbold.

O dólar chegou a anular a queda logo antes do início do pronunciamento de Yellen, à medida que investidores se protegiam contra a possibilidade de que ela sinalizasse de maneira mais forte uma iminente alta de juros pelo Fed. Na máxima do dia, a divisa alcançou R$ 2,891.

Mas, na avaliação de analistas, o pronunciamento da chair do Fed não correspondeu a essas apostas. Ela afirmou que, antes de elevar os juros, o banco central dos EUA eliminará a palavra "paciente" de seu comunicado, mas que isso não garante que o aperto monetário terá início logo em seguida.

"Yellen está mantendo a mente aberta, ainda sem pressa para dar um sinal de que a alta dos juros está próxima", disse o estrategista-chefe de mercados do Drivewealth, Brian Dolan.

Na Europa, a Grécia entregou a seus credores europeus um documento em que promete não voltar atrás em nenhuma privatização em andamento ou finalizada e que garante que qualquer gasto estatal para lidar com uma "crise humanitária" não afetará seu orçamento.

Autoridades gregas e dos países credores confirmaram que o documento é suficiente para estender o programa de ajuda financeira a Atenas.

"A situação na Grécia parece estar caminhando na direção certa", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Investidores temiam que o impasse entre a Grécia, a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI) pudesse levar Atenas a ser forçada a sair do bloco monetário, golpeando a lenta recuperação econômica global. Agora que o fluxo de notícias parece mais favorável, o apetite por risco voltava aos mercados.

No Brasil, os esforços do governo para defender as medidas de ajuste fiscal que vêm encontrando obstáculos na base aliada também trouxeram algum alívio ao mau humor dos agentes financeiro.


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