Embraer aposta na diversificação

Em operação desde janeiro, Embraer Sistemas analisa oportunidades nas áreas de óleo e gás, mineração e agronegócio com o objetivo de ganhar espaço no mercado global

Por O Dia

Mais conhecida por sua atuação no mercado aeronáutico, a Embraer prospecta oportunidades nos setores de mineração e agronegócio, dentro do plano de expansão da sua unidade de negócios de automação industrial. A estratégia de diversificação adotada pela fabricante de aviões passa pela internacionalização da Embraer Sistemas, com foco inicial no segmento de óleo e gás. Dessa forma, a divisão criada no ano passado pretende atrair a atenção de players internacionais que atuam no mercado brasileiro de exploração e produção.

“O petróleo é o grande foco”, diz o presidente da Embraer Sistemas, Daniel Moczydlower, que ontem participou do Rio Conferences, encontro para promoção de investimentos no estado. A ideia é de que algumas das soluções desenvolvidas pela Embraer Sistemas para o segmento de óleo e gás sejam aproveitadas para resolver problemas de outras indústrias. “Quando falamos de gestão logística, olhamos para uma indústria como a de mineração, por exemplo, e vemos que ela trabalha com uma escala muito grande, com investimentos pesados. Se você consegue ganhar 2%, 3% de eficiência, o retorno é gigantesco”, acrescenta.

O agronegócio também é encarado pelo executivo como um setor que pode projetar a marca da Embraer Sistemas fora do Brasil. “Adicionar valor neste mercado, no Brasil, te credencia em nível mundial”, afirma Moczydlower, ressaltando que esta seria uma possibilidade a ser explorada posteriormente, depois do petróleo e da mineração. No agronegócio, as oportunidades estariam na otimização da logística e na automação de processos, principalmente para viabilizar a chamada “agricultura de precisão”, que está diretamente ligada à instalação de sensores e à transmissão de dados.

Comum na indústria aeronáutica, a instalação de sensores ao longo da estrutura do avião é um conceito que a Embraer Sistemas pretende aplicar no segmento de óleo e gás. O objetivo é transformar a estrutura metálica de uma plataforma, por exemplo, num componente “inteligente”, com sensores capazes de monitorar suas condições de funcionamento e o desempenho.

Pouco mais de seis meses após o início das operações, a Embraer Sistemas ainda negocia com potenciais clientes, mas tem na manga uma carta favorável: assinou em maio um memorando de entendimento com a Petrobras para fazer um estudo de confiabilidade do blowout preventer, principal elemento de ligação entre a cabeça do poço, no fundo do mar, e a sonda. Conhecido como BOP, o sistema evita o vazamento descontrolado de líquidos e gases durante o processo de perfuração. “O Brasil é uma plataforma perfeita para você iniciar o negócio porque o desafio está aqui”, argumenta Moczydlower, referindo-se ao desafio tecnológico representado pela exploração do pré-sal.

A intenção é aplicar o conhecimento acumulado no desenvolvimento de produtos e serviços aeroespaciais e de defesa em outras indústrias. Para Moczydlower, as similaridades entre a indústria aeronáutica e outros setores que lidam com operações críticas são um trunfo para a Embraer Sistemas. Como exemplos, o executivo cita a necessidade absoluta de segurança operacional — vital tanto nos campos de petróleo como nas aeronaves — e a exigência de equipamentos com altíssima disponibilidade (sem falhas).

A experiência da Embraer no terreno logístico é — segundo Moczydlower — outra vantagem competitiva. Milhares de aeronaves fabricadas pela Embraer são monitoradas pela própria fabricante para determinar a data de manutenção, entre outras necessidades. “Um bom exemplo de um software de aplicação crítica é o sistema de gerenciamento de tráfego aéreo brasileiro, inteiramente desenvolvido por uma empresa 100% Embraer”, conta.

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