Maior capacidade fabril não reduz preço das cervejas

Indústria não perde margens, diz consultor, e consumidor vem pagando cada vez mais caro pelo produto, principalmente em bares

Por O Dia

O investimento do setor cervejeiro nos últimos cinco anos em diversas áreas — como marketing, distribuição e novas unidades fabris — foi de R$ 6,2 bilhões, segundo dados do Instituto CervBrasil, entidade que representa as maiores cervejarias do país. Nos anos de 2013 e 2014 foram inauguradas quatro novas fábricas, nos estados de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Bahia. As unidades fabris abertas mais recentemente são da Ambev (Minas Gerais e Paraná) e do Grupo Petrópolis (Bahia e Pernambuco). 

A maior capacidade de produção não se refletiu em preços menores. Pelo contrário. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), neste ano, até junho, a alta acumulada chega a 4% para a cerveja adquirida em estabelecimentos como bares e restaurantes e a 1,16% na comprada em supermercados. De janeiro a junho, o IPCA teve alta 3,74%.

De acordo com o secretário da Receita Federal Carlos Alberto Barreto, de maio de 2012 a fevereiro de 2014, o preço médio da cerveja ao consumidor subiu 23%.
Apesar das oscilações de produção registradas em 2013, o setor fechou o ano com alta de 3,3% no volume e incremento de 11,4% no valor, ultrapassando R$ 7 bilhões no mercado local, segundo levantamento da consultoria Kantar. Em 2012, ainda segundo o estudo, a indústria cervejeira movimentou R$ 6,29 bilhões.

Segundo o IBGE, o preço da bebida comprada em supermercado teve alta de 10% no ano passado. Já a cerveja consumida em bares e em outros estabelecimentos ficou 11% mais cara em 2013, ano em que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 5,91%.

Para Eduardo Yamashita, diretor do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas da GS&M Gouvêa de Souza, tanto investimento em eficiência deveria ajudar na redução dos preços. Mas a lógica das empresas do setor, de um modo geral - diz ele - é sempre de repassar para o preço final ao consumidor tudo que pesa nos custos e pode comprometer as margens.

“A equação não fecha por isso e porque, no caso dos bares, também há pressão de preços de aluguel e outras despesas. Em um mercado dominado por um grande player, fica difícil também a concorrência ter uma reação de preços. E com um novo reajuste de impostos a caminho, é bem mais viável que o consumidor, já com o bolso apertado, reduza o consumo ou mude de categoria de produto”, diz o especialista.

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