BuzzFeed vai além das listas

Após receber aporte de US$ 50 milhões e ser avaliada em US$ 850 milhões, a empresa — sucesso entre os jovens — foca na expansão para México e Japão, e reforça seus braços de conteúdo, com notícias e vídeos

Por O Dia

Depois de receber um aporte de US$ 50 milhões da empresa de venture capital Andreessen Horowitz e ser avaliado em US$ 850 milhões — montante superior ao de jornais famosos como os norte-americanos “Sunday” e “The Washington Post” —, o site BuzzFeed planeja a abertura de novos escritórios no Japão e no México, e ainda a expansão do seu braço de produção de vídeos.

A empresa foi criada por Jonah Peretti — cofundador do Huffington Post — em 2006, como um laboratório para investigar o porquê de alguns conteúdos virarem virais na internet, sendo compartilhados por milhares — e às vezes até milhões — de pessoas. Apoiado pelo sucesso de redes sociais, como Facebook e Twitter, cresceu principalmente entre os jovens, que compartilham suas listas engraçadas e quizzes.

O BuzzFeed tem, inclusive, tentado se livrar da dependência dessas mídias sociais, fazendo com que seu conteúdo seja distribuído em outras plataformas, como o Pinterest. O portal recebe mais de 150 milhões de visitantes únicos por mês, 75% deles provenientes das redes sociais. Segundo a empresa, mais 50% do público tem entre 18 a 34 anos — faixa etária controversa, pois para se cadastrar em mídias sociais, o usuário tem que ter no mínimo 18 anos, mas como não precisa de comprovação, muitos mentem a idade.

“Estamos constantemente expandindo os lugares em que o BuzzFeed é distribuído. Recentemente, o Pinterest já se tornou uma fonte maior de tráfego para nós do que o Twitter. Tentamos não ser dependentes de certas plataformas. A chave é pensar sobre as pessoas: onde elas estão compartilhando as coisas? O que elas estão compartilhando? Como?”, pondera o vice-presidente internacional do BuzzFeed, Scott Lamb.

Mas nem só de entretenimento vive o BuzzFeed, a empresa tem investido no fortalecimento dos seu conteúdo de notícias, nos últimos dois anos, e no seu braço de produção de vídeos. “Em cinco anos, esperamos ser uma das maiores empresas globais de mídia e estamos trabalhando para isso, com a expansão dos nossos braços de notícias e vídeos, além da abertura de novos escritórios internacionais”, diz Lamb. Sediada em Nova York, a empresa já possui escritórios em Los Angeles, Washington DC, São Francisco, Chicago, Londres, Berlim e Sydney, além de equipes em São Paulo, Mumbai e Paris.

“BuzzFeed Motion Pictures — braço de vídeos — é uma grande parte do crescimento recente do BuzzFeed, e vamos continuar a investir pesadamente. Atualmente, superamos 200 milhões de visualizações mensais apenas no YouTube. Vídeo está guiando o crescimento global da internet”, completa Lamb.

A empresa abriga hoje 575 empregados, sendo cerca de 200 jornalistas e escritores que geram conteúdo para BuzzFeed News (notícias), BuzzFeed Life (variedades) e Buzz (entretenimento). Já o braço de vídeos conta com 90 produtores em Los Angeles.
Como a empresa não abre detalhes de seu faturamento, acredita-se que a maior parte de suas receitas venha de seu braço de publicidade, que conta com uma equipe de mais de 40 pessoas, que trabalham, diz Lamb, para 75 das 100 maiores marcas, criando publicidade orientada para o conteúdo.

“Nosso conteúdo editorial e publicidade são feitos por duas equipes totalmente separadas. Nós não somos uma agência de publicidade. BuzzFeed é uma empresa de mídia que foca notícia e entretenimento. Temos uma equipe de criativos que trabalham com clientes (marcas, profissionais de marketing, agências) para criar a nossa publicidade social. O trabalho é muito mais eficaz do que o tradicional banner publicitário: o conteúdo patrocinado no BuzzFeed é de 10 vezes a 20 vezes mais eficaz do que um banner tradicional”, acrescenta ele. 

Sobre o Brasil — o site já tem uma versão em português, que inclui conteúdo produzido para o país —, Lamb diz apenas que o país está se tornando “uma das maiores edições internacionais” e conta com quatro jornalistas.

“Nossa expansão é primeiro editorial. Olhamos para as cidades mais interessantes, globalmente influentes, e começamos com pequenas equipes editoriais, focado na criação de Buzz. A ideia é sempre depois formar um escritório BuzzFeed completo”, finaliza.

Últimas de _legado_Notícia