Profissionais seniores permanecem no mercado de trabalho, aponta pesquisa

O aumento da perspectiva de vida, o alto custo da saúde privada e a abertura de vagas no pleno emprego que vive o país estão fazendo com que profissionais continuem ou voltem ao mercado de trabalho, mesmo após os 70 anos

Por O Dia

Fatores como a ampliação da expectativa de vida e o boom no mercado de trabalho brasileiro, aliados ao encarecimento dos planos de saúde à medida que seus usuários envelhecem, impulsionam a volta à ativa — ou a permanência — de profissionais com mais de 70 anos. Levantamento feito a partir de mil entrevistas com habitantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife indica que 14% dos brasileiros nessa faixa etária continuam trabalhando. Analisado por capital pesquisada, o percentual é mais alto em São Paulo (20%), enquanto Recife e Porto Alegre registram menor participação (7%) dos septuagenários no mercado de trabalho.

Os dados constam do estudo “Longevidade”, concluído em novembro pelas empresas Zhuo Consultoria e Giacometti Comunicação. Para traçar o panorama de um país que em 2050 terá um contingente de idosos superior ao de jovens, o levantamento incluiu debates com grupos de especialistas e uma fase de entrevistas qualitativas. “Hoje, as pessoas com 50 anos ou mais são quase 20% da população brasileira”, diz Dennis Giacometti, coordenador da pesquisa, citando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Desses 40 milhões de brasileiros, oito milhões não fazem absolutamente nada. O Estado não vai conseguir bancar isso.”

Cofundador do Anhanguera Educacional, um dos maiores grupos de ensino superior do país até a fusão com o Kroton, o professor José Luís Poli, de 58 anos, decidiu iniciar uma nova carreira após deixar a empresa em 2009: a de empreendedor. Em 2010, Poli criou a IES2, start-up voltada para combater o analfabetismo. “Sempre quis cuidar desse assunto, mas não tinha oportunidade, por trabalhar com ensino superior”, conta o educador. O projeto de ensinar adultos a ler por meio de aplicativos para celular e tablet deu origem a 227 pequenos softwares, focados em partes específicas do processo de aprendizado. Posteriormente, o projeto passou a abranger outros públicos, inclusive crianças. “Eu nunca havia trabalhado com aplicativos, mas com tecnologia, sim. Na Anhanguera tínhamos programas de educação à distância. Tive de estudar como se faz um aplicativo”, diz.

O desejo dos brasileiros de seguir novos rumos profissionais, muitas vezes antes da conclusão do curso superior, aparece com clareza na pesquisa da Zhuo e da Giacometti. “Na faixa de 45 a 50 anos, de cada dez pessoas que procuram um terapeuta ou psicólogo, quatro estão lá para reinventar a vida”, afirma o coordenador do levantamento. “No ensino superior, entre 35% e 40% dos alunos, dependendo da cidade, já estão arrependidos da escolha que fizeram no segundo ano de curso.”

A busca das empresas por uma maior diversidade no quadro de empregados também está abrindo portas para profissionais com maior nível de experiência. O americano Citigroup lançou em 2011 o Citi Masters, programa destinado a profissionais acima dos 50 anos que desejam reiniciar a carreira na instituição financeira. Com isso, o percentual de colaboradores nessa faixa etária dobrou de 2011 para 2013, passando de 4% para 8%. No caso do Brasil, contribuíram para a mudança o aumento da expectativa de vida, a expansão no mercado de trabalho e o encarecimento dos planos de saúde para usuários acima dos 50, lista Adriano Bandini, especialista em Diversidade no Citi Brasil.

“Dois anos atrás, fizemos uma pesquisa com profissionais de mais de 65 anos: 47% trabalhavam e 53%, não. Dos que não trabalhavam, 98% alegaram que pretendiam voltar ao mercado”, diz Rafael Urbano, especialista em Inteligência de Negócios do Vagas.com. Entre as áreas que mais despertavam interesse dos profissionais de fora do mercado estava a engenharia. “É uma área muito deficitária em relação à inserção de novos profissionais”, acrescenta Urbano.

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