Aliança entre United e Azul pode crescer ainda mais

Segundo analistas, o acordo entre as aéreas poderia evoluir para uma parceria comercial ou compra de participação acionária

Por O Dia

No começo de abril, o acordo firmado entre a Azul Linhas Aéreas e a United Continental Holdings para o acúmulo de pontos em seus programas de milhagens — TudoAzul e MileagePlus — começou a efetivamente operar. Além das milhagens, a terceira maior empresa aérea do Brasil passou a oferecer conexões de voos em seu mercado doméstico à americana.

Mas as atividades entre as duas companhias param por aí. As empresas não possuem laços mais fortes no exterior para impulsionar o tráfego, oferecer mais destinos, compartilhar receitas e reduzir custos, por exemplo. Talvez por isso não tenha demorado para que analistas internacionais do mercado de aviação comercial começassem a ver na parceria o início de uma relação mais séria, uma vez que a aliança com uma aérea norte-americana faria sentido para a Azul — a brasileira tem acordos com a TAP e a Etihad Airways.

A Azul, criada pelo fundador da JetBlue Airways Corp., David Neeleman, é a única operadora brasileira que não pertence a uma aliança internacional de empresas aéreas, nem se beneficia de uma parceria mais ampla com alguma aérea dos Estados Unidos. Esses grupos internacionais oferecem benefícios maiores do que o acordo atual entre United e Azul, incluindo a compra conjunta de combustível e a combinação de atividades, como assistência em terra e compartilhamento de salas executivas.

A American Airlines está ligada à Latam Airlines Group, controladora da TAM, pela aliança Oneworld, enquanto a Delta tem 2,9% de participação na Gol Linhas Aéreas Inteligentes. A Avianca Brasil finaliza alguns ajustes antes de ingressar na Star Alliance, que também inclui a United.

Diante desse cenário, a United é uma noiva com um dote e tanto. Para analistas da Raymond James e da Imperial Capital, a busca da Azul por uma aliança com uma empresa aérea estrangeira para atrair mais passageiros faz da United a melhor candidata. “É uma boa ideia que faz muito sentido para os dois lados”, disse Savanthi Syth, analista da Raymond James Financial.

“O mundo da aviação comercial está se globalizando”, disse Gianfranco Beting, diretor de marca, produto e comunicação da Azul. “Alianças estão sempre sendo buscadas, assinadas e construídas e a Azul está nesse jogo. Eu não nego que a Azul tenha conversado com a United.”

O fechamento de algum tipo de acordo, seja uma parceria comercial, seja a compra de uma participação acionária, seria “um passo natural” para a Azul, disse Beting, sem dar mais detalhes.
Mary Clark, da United, não quis comentar qualquer possível parceria no Brasil. Segunda maior empresa aérea do mundo, a United está revendo oportunidades de parceria com a Avianca Brasil, disse ela.

Mas caso a United feche um acordo para ficar com uma participação na Azul, isso poderia ajudar a aérea a pagar algumas das firmas de private equity que investiram na empresa quando ela começou a operar, em 2008, disse Syth. A Azul adiou por três vezes a realização de uma oferta pública inicial e está aguardando a liberação planejada de subsídios do governo brasileiro para voos regionais.

“O Brasil é, provavelmente, um dos países mais atrativos em termos de companhias aéreas para conectividade”, disse Bernardo Velez, analista da corretora Corporativo GBM SAB. Velez vê a recente aquisição de novos aviões pela Azul como um sinal de que a empresa poderá ampliar suas ofertas internacionais e combiná-las com uma empresa aérea americana com uma conectividade forte. Uma aliança com a JetBlue também faria sentido, disse ele.

A United também poderia tirar proveito do maior acesso aos passageiros brasileiros, disse Syth, analista da Raymond James Financial. A empresa obtém menos da metade da receita levantada na América Latina pela American Airlines, que registra as maiores vendas na região entre as aéreas dos EUA, segundo dados compilados pela Bloomberg.

“A United está, provavelmente, em busca de uma presença maior na América do Sul”, disse Bob McAdoo, analista da Imperial Capital. “Veja o número de lugares que voam sem escala a Viracopos — um voo da United para lá poderia atender um grande número de destinos.” O aeroporto de Viracopos, em Campinas, serve 50 destinos com voos diretos.

A United vem acelerando seu crescimento na América Latina. A capacidade de assentos da empresa na América Latina cresceu 11% no primeiro trimestre em relação a um ano antes, segundo o relatório mais recente da empresa. A maior parte desse aumento é atribuída aos novos voos para a Cidade do Panamá e para Santiago, bem como mercados latino-americanos com praias, disse Mary, da United. 

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