Nextel trilha caminho incerto de recuperação

Operadora consegue ampliar base de usuários e reduzir custo de aquisição de clientes, apesar da receita operacional em queda. Ritmo de adições líquidas diminui no 1º trimestre

Por O Dia

Depois de ampliar sua base de clientes ao longo do ano passado em quase 10%, a Nextel Brasil enfrenta o desafio de consolidar em 2015 o turnaround iniciado há pouco mais de dois anos, com o lançamento do seu serviço 3G. A virada já produz resultados na área operacional, com adições líquidas de 383 mil clientes em 2014, mas a empresa ainda luta para recuperar terreno no campo financeiro: entre 2011 e 2014, a receita operacional encolheu 46,4% para US$ 1,85 bilhão. Lançado em junho do ano passado na cidade do Rio de Janeiro, como projeto-piloto, o serviço 4G da operadora conquistou 196 mil assinantes e pode alavancar a recuperação da companhia, segundo analistas.

“Nos últimos meses, Nextel e Vivo são as únicas que estão crescendo forte no pós-pago”, diz Georgia Jordan, analista da consultoria Frost & Sullivan. “Eles (Nextel) estão com uma estratégia agressiva de preço e isso reduziu bastante o custo de aquisição de clientes. Muitos estão vindo de outras operadoras já com os aparelhos”. De fato, o custo de aquisição de clientes despencou de um patamar de US$ 277, no ano passado, para US$ 164, conforme dados dos relatórios financeiros da companhia. Mas, na comparação entre o primeiro trimestre 2014 com igual período deste ano, as adições líquidas desaceleraram. Entre janeiro e março de 2015, o saldo positivo foi de 55,1 mil clientes, enquanto nos primeiros três meses do ano passado as adições líquidas totalizaram 171,2 mil.

A receita média por usuário (Arpu) vem em queda desde 2011, quando era de US$ 65. No primeiro trimestre, chegou a US$ 23. “A Nextel tinha um Arpu mais alto que o de outras operadoras, agora está se ajustando ao mercado”, afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. O especialista lembra que a Nextel tinha, antes do turnaround, foco muito mais restrito ao segmento corporativo, o que permitia à operadora cobrar preços diferenciados. Parte do recuo no Arpu e na receita ocorrido em 2014 e 2015 está relacionada com a desvalorização do real frente ao dólar, frisa Geórgia, da Frost & Sullivan. No trimestre, a receita caiu 21% na comparação anual, para US$ 340,6 milhões.

Mesmo com uma série de obstáculos a serem vencidos, a empresa — controlada pela norte-americana NII Holdings — apresentou pequeno lucro no primeiro trimestre (US$ 3,5 milhões), contra um prejuízo de US$ 29,5 milhões entre janeiro e março de 2014. Já a controladora da Nextel Brasil registrou prejuízo líquido de US$ 309,5 milhões nos primeiros três meses do ano, contra um resultado também negativo de US$ 376,1 milhões em igual período de 2014. Em setembro do ano passado, a dona da Nextel pediu proteção contra falência nos Estados Unidos, como parte de um esforço para reestruturar suas dívidas. A venda das operações da Nextel México à AT&T foi anunciada no último dia 26 de janeiro. “O acordo de venda anunciado anteriormente da Nextel México à AT&T irá nos dar o financiamento que precisamos para continuar a crescer e a competir no Brasil, enquanto continuamos a buscar opções estratégicas para o nosso negócio na Argentina”, informou Juan Figuereo, vice-presidente executivo e diretor financeiro da NII Holdings, no relatório de resultados do primeiro trimestre. No fim de março, a NII tinha uma base de 9,3 milhões de assinantes, espalhados por Brasil, México e Argentina. Desse total, 47% estavam no Brasil. 

“(No país,) a empresa está retomando seu foco no mercado corporativo, contratando equipes para atuar principalmente junto às PMEs (pequenas e médias empresas)”, conta Geórgia. Para a analista da Frost & Sullivan, o futuro da operação brasileira da Nextel está na capacidade de transferência da sua base de usuários iDEN para o 3G, liberando espaço no espectro de radiofrequências para a ampliação dos serviços de quarta geração da operadora. A tecnologia iDEN permite combinar recursos de rádio digital, telefonia móvel e transmissão de dados numa mesma rede. Ao fim do primeiro trimestre do ano, 55% da base de clientes da Nextel Brasil ainda era de usuários da tecnologia iDEN. “A empresa está concentrando seus esforços no cliente pós-pago, que gasta mais”, diz Tude, da Teleco. Naturalmente, dentro dessa estratégia o cliente 4G é fundamental, mas para capturá-lo a operadora terá de investir ao longo dos próximos anos. Procurada para comentar sua performance operacional e financeira recente, a Nextel Brasil optou por não se manifestar.

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