Uso de cartões cresce 16% no Brasil

Aumento foi apurado em seis meses. Especialistas orientam como administrar a modalidade

Por O Dia

Rio - O uso dos cartões de crédito e débito no país cresceu 16,3% no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Porém, muitos consumidores ainda têm dúvidas sobre as regras deste meio de pagamento. Especialistas recomendam cautela aos clientes para evitar armadilhas e problemas com dívidas.

Rodolfo Cornélio diz que paga a maioria das compras com cartões de crédito ou débito. Para ele%2C meio de pagamento é prático%2C porém custa caro por conta das taxas cobradasCarlo Wrede / Agência O Dia

O chamado dinheiro de plástico movimentou mais de R$ 455 bilhões de janeiro a agosto. Foram 4,8 bilhões de transações na primeira metade de 2014, 12,3% a mais na mesma comparação com período anterior. “Caso este desempenho continue, vamos alcançar R$ 1 trilhão em cartões de crédito e débito ainda neste ano, uma alta de 17%”, estima Marcelo Noronha, presidente da Abecs.

O comerciante Rodolfo Cornélio, 26 anos, diz que usa o cartão para pagar a maioria das compras que faz. “O cartão é prático. O problema são as taxas cobradas pelos bancos, muitas vezes sem a gente saber”, reclamou.

O cartão de crédito respondeu por R$ 291 bilhões no primeiro semestre, expansão de 13,5% em um ano. Já os de débito movimentaram R$ 164 bilhões, alta de 21,6% em 12 meses. Foram 2,5 bilhões de transações no período, alta de 15%.

Todo este crescimento veio acompanhado de dúvidas sobre os serviços incluídos nos contratos. Somente no site Reclame Aqui, que soluciona conflitos entre consumidores e empresas, foram 50 mil queixas contra cartões de janeiro a agosto.

“A maior parte das reclamações é fruto do desconhecimento das cláusulas previstas nos contratos”, explica Edu Neves, diretor do site.

O executivo recomenda que os clientes leiam as regras definidas nos contratos e evitem erros típicos cometidos por usuários para escapar de algumas armadilhas da modalidade de crédito, entre elas parcelar a fatura, ter mais de um cartão, demorar para cancelar uma compra não reconhecida, sacar dinheiro com cartão de crédito e não negociar reduções nas taxas de anuidade.

“É preciso saber usar o cartão. Caso contrário, o consumidor vai ter um problema. Se efetuar o pagamento mínimo da parcela, por exemplo, o cliente vai pagar em torno de 6% sobre a fatura”, disse o presidente da Associação Brasileira de Educação Financeira (Abef) Edmilson Lyra.

Consumidores correm para quitar débitos antes do Natal

A chegada do Natal também incentiva o pagamento de faturas para ter crédito em dezembro. Para o presidente da Dsop Educação Financeira Reinaldo Domingos, este é um bom momento para diminuir as dívidas.

“É aconselhável o cliente adiantar parcelas porque as taxas estão altas, assim como os juros cobrados, que elevam ainda mais as dívidas”, adverte Domingos.

O agente de monitoramento Vinícius Oliveira, 26 anos, antecipou o pagamento da dívida. “Prefiro pagar agora e segurar meu orçamento a ter alguma dívida próxima de dezembro”, disse.

O momento é de quitar débitos e de conseguir crédito, como explica o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fabio Bentes.

“O governo está barateando o crédito para o consumidor. Existe uma corrida para limpar o nome, porque estamos chegando no fim do ano e as pessoas querem gastar neste período”, esclarece.

Um alerta para quem pensa em quitar a dívida é não recorrer aos agiotas, como pondera o presidente da Associação Brasileira de Educação Financeira (Abef), Edmilson Lyra.

“Quando o consumidor pega dinheiro com agiota, o cidadão corre um grande risco caso não consiga pagar”, disse.

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