Incidência de pedras nos rins aumenta até 20% no verão

Calor reduz a quantidade de urina, o que favorece a formação de cálculos renais

Por O Dia

Rio - Poucas dores são comparáveis à do parto, como é o caso da causada por cálculo renal. A ‘pedra nos rins’ é formada, principalmente, pela desidratação, o que faz com que os casos aumentem em até 20% durante o verão. Nesta época do ano, a recomendação é reforçar a ingestão de água e redobrar os cuidados com a alimentação: sal e proteínas em excesso são os grandes vilões do bom funcionamento renal.

Os rins são responsáveis por eliminar toxinas do sangue através de um sistema de filtração. O excesso e a concentração de determinadas substâncias podem formar pequenos cristais (cálculos) capazes de obstruir as vias urinárias. Beber água regularmente garante o funcionamento pleno do órgão, evitando o surgimento das pedras, que acometem 15% da população.

Maior ingestão de líquidos aumenta a quantidade de urina e evita a concentração das substâncias que dão origem ao cálculo renalEduardo Titov / iStock

O risco de desenvolver o problema é maior no período de altas temperaturas porque o suor aumenta, mas o consumo de água costuma permanecer o mesmo. “Quanto mais transpiramos, menos urina nós produzimos”, explicou o urologista Alexandre Crippa, do Núcleo de Urologia do Hospital Samaritano.

Segundo o médico, em dias de temperatura amena, consumir 2,5 litros de água é o suficiente para produzir 2 litros de urina (o ideal para ser eliminado diariamente). Em dias quentes, a mesma quantidade de líquido não se reflete sequer em 300 ml de urina. Independentemente do clima, qualquer atividade que provoque suor em excesso também demanda atenção, segundo ele.

A dor intensa é o principal sintoma, podendo mudar a localização de caso para caso. “Ela pode surgir nas costas, no abdômen ou até nos testículos. Depende da região onde o cálculo nasce no rim e de como migra para bexiga”, esclarece o especialista, ressaltando que a dor só é percebida quando a pedra se movimenta. “Ela pode ficar crescendo no rim por até quatro anos sem que o paciente sinta algo”, disse.

Formações que evoluem despercebidas são mais difíceis de tratar. Quando o cálculo tem até 5 milímetros, é normal que seja expelido sozinho, enquanto as dores são atenuadas através de medicamentos. Se as pedras são maiores, há opção de tratamento específico como a litotripsia, que consiste em ondas de choque para fragmentar e facilitar a saída da pedra.

Prevenção inclui ainda exercícios

Além da hidratação, exercícios regulares e uma dieta equilibrada podem evitar a formação de cálculos renais. O problema é mais recorrente em diabéticos, hipertensos, obesos, pessoas com casos do mal na família e com outras doenças nos rins. É aproximadamente duas vezes mais comum nos homens do que nas mulheres, principalmente entre os 20 e 40 anos.

Os sintomas são, além da dor, sangue na urina, vômitos e febre. A alimentação deve limitar o consumo de carne vermelha e de sódio, substância presente no sal. É recomendado beber líquidos, no mínimo, seis vezes ao dia. Sucos de laranja ou limão, por conterem ácido cítrico, são considerados excelentes inibidores do cálculo.

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