Lufthansa diz que não tinha obrigação de divulgar registros médicos de piloto

Lubitz interrompeu seu treinamento por vários meses e quando retomou, contou aos superiores sobre 'severa depressão'

Por O Dia

Alemanha - A Lufthansa declarou nesta segunda-feira que não tinha a obrigação de informar as autoridades alemãs de aviação sobre a depressão que teve o copiloto Andreas Lubitz, porque ele se qualificou como piloto antes de regras mais rígidas entrarem em vigor a partir de 2013.

Lubitz era o copiloto do avião da Germanwings, divisão de baixo custo da Lufthansa, que caiu nos Alpes franceses. Acredita-se que ele tenha deliberadamente jogado o avião contra as montanhas e matado 150 pessoas.

A questão sobre se a Lufthansa sabia de qualquer problema psiquiátrico do copiloto deve ser importante na responsabilização pela tragédia. A seguradora alemã Allianz estima que as seguradoras terão de pagar 300 milhões de dólares em indenizações e custos relacionados ao acidente.

Lubitz interrompeu seu treinamento de piloto por vários meses em 2009. Quando ele retomou o treinamento, ele disse aos instrutores da Lufthansa por email que havia passado por um período de severa depressão. Ele recebeu o primeiro certificado para voar aviões comerciais em 2012.

Copiloto alemão Andreas Lubitz lançou a aeronave de propósito contra a montanha%2C matando todas as outras 150 pessoas a bordoReuters

Pelas regras europeias, pilotos com condições psiquiátricas devem ser encaminhados às autoridades de licenciamento para exames aeromédicos, que podem então decidir restringir a licença do piloto.

A Luftfahrtbundesamt (LBA), autoridade relevante da Alemanha para o assunto, disse no domingo que "não tinha qualquer informação" sobre a depressão de Lubitz.

A Lufthansa afirmou que uma cláusula no novo regulamento, adotado na Alemanha em abril de 2013, oferece salvaguardas a determinados certificados de ‘apto para pilotar’ e certificados médicos pré-existentes emitidos por médicos especializados do setor aeronáutico.

De acordo com a companhia aérea, centros aeromédicos ou médicos especializados em aviação podem, portanto, emitir prorrogações desses certificados médicos mesmo após a entrada em vigor das novas regras.

"Uma obrigação geral e separada de encaminhar à LBA, portanto, não surge como resultado da mudança na posição legal", disse a Lufthansa.

Últimas de _legado_Mundo e Ciência