Editorial: Responsabilidade sem ações tranca-ruas

Direito de greve, prerrogativa sagrada a qualquer trabalhador, não concede salvo-conduto para cercear o direito de ir e vir, como aconteceu ontem na cidade

Por O Dia

Rio - Direito de greve, prerrogativa sagrada a qualquer trabalhador, não concede salvo-conduto para cercear o direito de ir e vir, como aconteceu ontem na cidade. Funcionários da Cedae sequestraram Laranjeiras, num ato irresponsável — com reflexos em todo o Rio — que em nada ajudará sua causa. Professores, num prolongado e desgastante movimento que prejudica sobretudo os alunos, insistem em passeatas que também bloqueiam o trânsito. Os removidos da Favela da Oi também atrapalharam a volta para casa. Dada a reincidência desses travamentos, quase sempre causados por uma meia dúzia, é preciso repensar a forma de lutar por melhores condições e salários decentes.

No início da semana, muito se falou acerca da morte do fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, na porta do Instituto Nacional de Cardiologia, que não lhe prestou atendimento — em circunstâncias ainda não de todo esclarecidas. Diante da paralisia asfixiante provocada pelos grevistas da Cedae, é de se supor que muitos pacientes ficaram presos no tráfego. Não só os que se dirigiam às unidades de Laranjeiras, mas também os que precisavam chegar, por exemplo, ao Souza Aguiar. Fora o revés imposto a trabalhadores ou a quem tinha hora marcada.

Impossível angariar apoio da sociedade nestas ações tranca-ruas. Mas não se está mais falando de simpatia, e, sim, de responsabilidades.

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