Editorial: A hora é de unir esforços contra a crise

Se a chefe do governo cometeu algum deslize, cabe ao próprio aparelho do Estado investigar e punir

Por O Dia

Rio - O país passa por grave situação econômica e política, mas não serão discursos, como os proferidos na convenção nacional do principal partido de oposição ao governo, o PSDB, que ajudarão a superar os obstáculos. Ao contrário. O tom adotado só acirra ânimos. Soa como arroubo golpista a afirmação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos líderes e fundadores da legenda, de que os tucanos estão “prontos para assumir” o lugar de uma presidenta reconduzida ao cargo pela vontade popular. Decididamente, a frase não tem a dimensão ética que se espera de um ex-presidente.

As eleições passaram e a presidenta Dilma Rousseff foi reeleita. Não há terceiro turno. Se a chefe do governo cometeu algum deslize, cabe ao próprio aparelho do Estado investigar e punir, seguindo os trâmites constitucionais, com amplo direito de defesa. E receber o veredicto das urnas na data estabelecida pela democracia brasileira.

Em cinco séculos de sua história, aos quais a maior parte sob o imperialismo da coroa portuguesa, seguido de governos ditatoriais, civis e militares, o país, há três décadas, ainda engatinha na democracia. Erros e acertos fazem parte do jogo, e as urnas devem ser sempre o fiel da balança.

A hora é de unir esforços e criar condições de governabilidade para sair da turbulência. Querer ganhar no grito, como sugere o alvoroço tucano, é bola fora para uma legenda que nasceu com paixões republicanas. Os brasileiros com memória não querem ver filmes repetidos de arroubos golpistas.

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